- Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cita possível doação de cerca de R$ 20 milhões como caixa dois para a reeleição de senador mineiro nas eleições de 2022.
- O pagamento seria ligado a Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, citado nas duas delações premiadas apresentadas à PGR e à Polícia Federal.
- Silveira é o único integrante do governo Lula citado nas minutas de colaboração; não há confirmação sobre como poderia ter ocorrido o repasse.
- Vorcaro descreveu reunião com Lula no final de 2024, na qual o presidente afirmou que houve caráter institucional e que não haveria posição política em relação ao Banco Master.
- Silveira já havia sido cotado como possível candidato ao Senado com apoio de Lula, mas permaneceu no governo a pedido do presidente.
Vorcaro cita ministro de Lula em delação e possível doação de R$ 20 milhões para campanha
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou, em delações premiadas apresentadas à PGR e à PF, a possibilidade de uma doação de cerca de R$ 20 milhões destinada a uma campanha de reeleição ao Senado de Alexandre Silveira, em 2022. As informações foram veiculadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela Gazeta do Povo, com fontes ligadas ao caso.
Segundo apuração, Silveira é o único integrante do governo Lula citado nas minutas de colaboração. Não há detalhes públicos sobre a origem ou o destino do dinheiro, nem confirmação sobre uma tentativa de caixa dois. A defesa de Vorcaro e a assessoria do ministro foram procuradas pela Gazeta do Povo.
Silveira, então senador por Minas Gerais, disputou a reeleição com apoio de Lula e integrou a chapa liderada por Alexandre Kalil, na época candidato ao governo mineiro. Ele acabou não sendo eleito ao Senado naquela eleição, vencida por Cleitinho e Zema.
Atuação posterior de Silveira no governo ocorreu após o pleito, com nomeação para o Ministério de Minas e Energia. Em 2022, ele foi suplente de Antonio Anastasia no Senado, posição ocupada posteriormente por Anastasia no TCU.
Segundo apurações, Silveira participou da reunião com Vorcaro no fim de 2024, articulada pelo ex-ministro Guido Mantega. A reunião contou com a presença de Rui Costa, da Casa Civil, e Gabriel Galípolo, então próximo a assumir a presidência do Banco Central.
Lula declarou ter participado da reunião com Vorcaro de forma institucional, destacando que não houve posição política em relação ao Banco Master. Em entrevista ao UOL, o presidente afirmou que a investigação seria técnica, conduzida pelo Banco Central.
Silveira chegou a ser cotado para trocar de cargo com apoio de Lula, mas permaneceu no governo a pedido do presidente. A defesa do ministro ainda não respondeu de forma definitiva sobre as denúncias.
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