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O fim dos partidos políticos

Com o declínio das velhas correntes, surgem partidos digitais e movimentos-partidos que desafiam a prática democrática tradicional

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  • O texto sustenta que as besteiras políticas não são mais centrais na democracia moderna; no Reino Unido, Labour e Conservadores foram eliminados nas últimas eleições municipais, e o fortalecimento de parties tradicionais é questionado nos EUA e na Europa.
  • Surgem atores novos: partidos digitais, veículos de um homem só e “movimento-partidos”, com vida útil mais curta e estruturas menos estáveis.
  • Historicamente, os partidos conectavam cidadãos e Estado, oferecendo orientação ideológica e benefícios sociais; o sistema belga de “pillarização” e o CVP estatal são exemplos de mediadores entre famílias políticas e o Estado.
  • O declínio ganhou força após a crise de 2008, com o fenômeno “Pasokification” e o surgimento de populismo sem organização sólida, que não substituiu facilmente os partidos tradicionais.
  • Na última década, mudanças digitais reduziram a exigência de engajamento paciente dos membros; exemplos contemporâneos incluem a Labour de Keir Starmer, Berlusconi na Itália e Macron na França, que avançaram com estruturas de partido menos convencionais.

O artigo analisa o conceito de fim dos partidos políticos no contexto de mudanças profundas na política mundial. A tese central afirma que a democracia de partido está sob risco de extinção estrutural, especialmente nos EUA e na Europa, conforme eleições recentes.

Segundo o texto, a ideia de que a “idade da democracia de partido” tenha passado foi defendida pelo cientista político Peter Mair, falecido em 2011. Em 2026, o panorama mostra as antigas formações perdendo protagonismo em eleições locais, com reflexos nas dinâmicas nacionais.

A matéria observa que, apesar da aparente proliferação de listas partidárias, novos atores como formações digitais, veículos individualizados e partidos-movimento surgem com vida útil menor, mas atuação intensa no ambiente político. A “partiorgânica” tradicional é apresentada como distinta desses novos formatos.

Contexto histórico

O texto traça uma linha histórica que vai desde o século XIX, quando elites conservadoras passaram a aceitar a democracia, até o período entre guerras, quando críticos viam as partituras como oligárquicas. A partir do pós-guerra, as vias de participação foram moldadas pela presença de estruturas partidárias que mediavam entre cidadãos e Estado.

O artigo cita exemplos históricos para ilustrar transformações, como a consolidação de sistemas de apoio social por meio de partidos em Bélgica nos anos 1960. Também descreve a passagem de modelos de poder estáveis para contextos com maior volatilidade partidária.

Dinâmica recente e impactos econômicos

A crise financeira de décadas passadas é apresentada como elemento que influenciou a erosão da legitimidade das velhas estruturas. A partir de 2008, surgiram fenômos como a Pasokificação, associada à baixa permanência de partidos social-democratas em governos após medidas de ajuste fiscal.

O texto aponta que novos formatos, com pouca coesão organizacional, disputaram espaço com os grandes partidos, mas sem oferecer estruturas estáveis para governar. Ao final dos anos 2010, figuras de esquerda populista enfrentaram entraves para obter poder consistente.

Mudanças de engajamento e tecnologia

A narrativa destaca que a era digital tornou difícil manter o engajamento político tradicional, que exige tempo e disciplina de filiação. Habermas é citado como referência para a transformação da esfera pública em um espaço ativo, porém volátil.

Nesse cenário, muitos partidos passaram a governar sem base de membros ativos, ao menos em parte, como evidenciado por exemplos recentes no Reino Unido. A reportagem descreve uma mudança de participação de massas para formatos mais flexibilizados.

Perspectivas e formas de governo sem partidos

O texto projeta cenários de políticas públicas sem estruturas partidárias firmes, mencionando o surgimento de sistemas com maior concentração de poder em lideranças únicas. Observa-se a experiência italiana na década de 1990 e o uso de liderança forte em outras democracias.

Ao final, o artigo sugere que, embora haja sinais de que partidos não sejam mais o único veículo de participação, não há consenso sobre o que tomar como novo modelo estável. A ideia de extinção completa é apresentada como prematura.

Desdobramentos e leituras

A reportagem ressalta que o tema envolve mudanças nas bases de apoio, na governança e nas formas de participação cívica. O texto afirma que as instituições podem permanecer ativas, ainda que em estado de “zumbi”, com funções de representação e carreira pública.

A análise conclui que a transformação não elimina necessariamente a função social dos partidos, mas aponta para uma evolução na forma como eles operam e se relacionam com eleitores, governos e mercados.

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