- O governo do Reino Unido avalia reduzir as metas de venda de veículos elétricos para 2030 após pressão da indústria e de sindicatos, com consulta sobre metas menos ambiciosas para o resto da década.
- A proposta permitiria maior participação de veículos híbridos, reduzindo a meta de 80% de elétricos puros para 50% até o fim de 2030; o banimento de carros à combustão pura para 2030 ainda vale, e o prazo de 2035 para eliminar híbridos permanece.
- As metas de veículos de emissão zero (ZEV) foram criadas em 2023; é a segunda flexibilização das regras pelo governo trabalhista para permitir mais híbridos.
- Em maio, 27,3% das novas matrículas foram elétricas, abaixo da meta de 33% para 2026; montadoras dizem que é preciso descontos para acelerar as vendas, e custos de produção continuam altos.
- Sindicatos e setores de infraestrutura de carregamento reagiram com ressalvas: a Unite aponta possíveis multas de até £11.000 por veículo e teme impactos no emprego; representantes de negócios de recarga criticam a flexibilização, dizendo que prejudica a expansão da infraestrutura.
O governo britânico prepara uma consulta para reduzir as metas de venda de carros elétricos até 2030, após forte pressão da indústria automotiva e de sindicatos. As mudanças buscam tornar as operações de transição mais viáveis, evitando impactos sobre empregos e custos de produção.
Segundo relatos, o novo desenho permitiria uma participação maior de veículos híbridos nas vendas, diminuindo o peso obrigatório de 80% de veículos totalmente elétricos para 50% até o fim da década. A banimento de novos carros movidos apenas a gasolina ou diesel continuaria em vigor a partir de 2030, mantendo a data de 2035 para a eliminação gradual dos híbridos.
A ideia é revisar as regras do mandato de veículos de zero emissão (ZEV). O arcabouço atual, criado em 2023, previa aumento progressivo de elétricos até 2030. A mudança seria a segunda desde que o governo é controlado pelo Labour, com sinais de alinhamento em favor de flexibilizar as regras segundo informações de veículos.
Ministros também ajustaram, no ano passado, a possibilidade de venda prolongada de plug-in hybrids, uma decisão criticada por campanhas ambientais que alertaram sobre maior emissão de carbono. Hoje, pouco menos de 14% das vendas são de plug-in hybrid, segundo fontes do setor.
A revisão do mandato estava prevista para 2027, mas tende a ocorrer mais cedo, com o premiê apoiando o secretário de Economia, Peter Kyle, em flexibilizar o mandato em vez de manter metas de zero emissões. A expectativa é de que uma consulta pública seja concluída rapidamente para indicar próximos passos.
Entre reações, a Unite alerta que o mandato pode gerar multas de até cerca de £ 11 mil por veículo e colocar empregos em risco. A entidade cobra clareza sobre impactos e um desfecho certeiro para trabalhadores do setor automotivo.
Representantes do setor de recargas elétricas destacam a importância de manter as metas para sustentar o ritmo de investimentos em infraestrutura. Responsáveis de associações de investimentos insistem que o mandato é crucial para atrair recursos para redes de carregamento.
O governo aponta que, mesmo com ajuste, a venda de veículos elétricos vem crescendo, mas ainda aquém das metas. Em maio, 27,3% dos registros de carros novos no Reino Unido foram elétricos, ante uma meta de 33% para 2026.
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