As mortes resultantes de ações policiais em São Paulo apresentaram um aumento significativo em 2024, concentrando-se em áreas periféricas da capital. Um relatório do Instituto Sou da Paz, divulgado em 6 de junho, revela que as mortes provocadas pela Polícia Militar (PM) subiram 65%, totalizando 760 casos, em comparação a 460 no ano anterior. O […]
As mortes resultantes de ações policiais em São Paulo apresentaram um aumento significativo em 2024, concentrando-se em áreas periféricas da capital. Um relatório do Instituto Sou da Paz, divulgado em 6 de junho, revela que as mortes provocadas pela Polícia Militar (PM) subiram 65%, totalizando 760 casos, em comparação a 460 no ano anterior. O levantamento, que considera dados da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público, contabiliza 720 mortes entre todas as polícias, um aumento de 42% em relação a 507 em 2023.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, atribui esse crescimento à “desmantelamento de uma série de medidas que visavam ao controle do uso da força pela PM”, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas. A Secretaria de Segurança Pública, liderada por Guilherme Derrite, afirma estar comprometida com a ampliação do uso de câmeras corporais e com o treinamento dos policiais, além de realizar análises operacionais de cada ocorrência.
O relatório destaca que 62,8% das mortes envolveram pessoas negras ou pardas, superando a proporção de 41% da população negra no estado, conforme o Censo de 2022. A letalidade policial afeta principalmente jovens, com seis em cada dez casos ocorrendo entre indivíduos de 18 a 39 anos. O 1º Batalhão de Polícia de Choque, conhecido como Rota, foi o mais letal, com 55 mortes registradas em 2024.
Além disso, o documento questiona a redução de 25% nos Processos Administrativos Disciplinares e de 5% nos Inquéritos Policiais Militares, que investigam condutas ilegais. O governo de São Paulo enfrenta uma crise de confiança devido a casos de abuso de força, como o do motoboy arremessado de uma ponte e a morte do menino Ryan, de quatro anos, resultando em afastamentos e investigações.
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