A terceira onda de calor do ano, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pode impactar a inflação no Brasil, segundo Aniela Carrara, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A onda, que começou em 17 de fevereiro, afeta principalmente estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina […]
A terceira onda de calor do ano, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pode impactar a inflação no Brasil, segundo Aniela Carrara, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A onda, que começou em 17 de fevereiro, afeta principalmente estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná.
O aumento das temperaturas eleva a demanda por produtos como água, isotônicos e sorvetes, mas prejudica a produção de culturas sensíveis ao calor. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), alerta que isso pode resultar em aumento de preços de hortaliças, verduras e ovos. Em janeiro, os ovos já apresentaram alta de 2,65% em relação a dezembro, acumulando 4,01% nos últimos doze meses.
Queiroz também destaca que o estresse térmico em galinhas poedeiras, expostas a temperaturas acima de 28°C, compromete a produção. No médio e longo prazo, as ondas de calor podem afetar a dieta de bovinos e suínos, impactando a oferta de proteína animal. A Apas monitora os efeitos das mudanças climáticas, que incluem não apenas calor extremo, mas também chuvas intensas e secas prolongadas.
Esses fatores climáticos têm relação direta com a inflação, afetando a oferta de produtos no mercado. Queiroz defende que o controle da inflação deve ir além da taxa de juros, envolvendo políticas monetárias, fiscais e cambiais que sustentem a capacidade produtiva do país. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi fortemente influenciado pela alta de alimentos, que não se deve apenas à demanda, mas também à oferta limitada.
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