O Bistrô Sabor da Maré, localizado na Nova Holanda, enfrenta condições extremas de calor, com a proprietária Juvanete Félix Moreira, de 56 anos, passando até dez horas diárias em uma cozinha que atinge 82 graus. O restaurante é o único espaço com ar-condicionado, enquanto o corredor do buffet sofre com a alta temperatura, agravada pela […]
O Bistrô Sabor da Maré, localizado na Nova Holanda, enfrenta condições extremas de calor, com a proprietária Juvanete Félix Moreira, de 56 anos, passando até dez horas diárias em uma cozinha que atinge 82 graus. O restaurante é o único espaço com ar-condicionado, enquanto o corredor do buffet sofre com a alta temperatura, agravada pela falta de ventilação e pela presença de exaustores ineficazes. A situação é reflexo das condições climáticas adversas enfrentadas por comunidades do Complexo da Maré, onde a temperatura pode ser até 2 graus mais alta em comparação a áreas vizinhas.
Um estudo da ONG Redes da Maré revelou que a região é cercada por grandes avenidas e carece de áreas verdes, fatores que contribuem para a formação de ilhas de calor. Eliana Souza, fundadora da ONG, destaca a ausência de políticas públicas adequadas, afirmando que “o calor é fruto de escolhas governamentais para as pessoas de favela”. A pesquisa mapeou as urgências climáticas, mas as demandas da comunidade continuam sem prioridade.
Enquanto a cidade registrava 44 graus, moradores da Nova Holanda relatavam dificuldades, como Sandra Regina, de 70 anos, que vive em um cômodo sem ventilação adequada. Ela utiliza um ventilador para amenizar o calor, mas planeja se mudar devido ao desconforto. Luiz Antônio de Souza, de 91 anos, enfrenta a situação com ventiladores antigos, enquanto sua vizinha Adriana Paiva, de 36 anos, lida com as necessidades respiratórias do filho, agravadas pelo calor e pela falta de água.
Recentemente, a Redes da Maré implementou um telhado verde na favela Rubens Vaz, uma iniciativa que visa reduzir a sensação térmica. Soraia Claudino, uma das beneficiadas, relata que já percebe uma diferença na temperatura. A ONG também recebeu apoio de instituições como a Fiocruz e o Ministério da Saúde para expandir o projeto, que busca analisar os impactos climáticos e explorar soluções tecnológicas para melhorar a qualidade de vida na região.
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