Na semana passada, um incidente aéreo envolvendo um pássaro e um avião da Latam ocorreu logo após a decolagem do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Esse tipo de colisão, conhecido como bird strike, tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil, com o número de casos triplicando em mais de uma década, […]
Na semana passada, um incidente aéreo envolvendo um pássaro e um avião da Latam ocorreu logo após a decolagem do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Esse tipo de colisão, conhecido como bird strike, tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil, com o número de casos triplicando em mais de uma década, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2023, já foram registrados 4.329 incidentes, um aumento significativo em relação aos 1.381 de 2011. Especialistas atribuem esse crescimento ao aumento do tráfego aéreo e à adaptação das aves ao ambiente aeroportuário.
No último domingo, um avião da Gol precisou retornar ao Aeroporto de Brasília após um bird strike. A companhia informou que todos os passageiros foram reacomodados. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) destaca que um maior número de notificações não indica insegurança, mas sim uma cultura de reporte que ajuda a aprimorar a gestão de riscos. O Cenipa também observa que os riscos variam conforme a vegetação e a densidade populacional nas áreas ao redor dos aeroportos.
Dados da Anac mostram que o Aeroporto Internacional de Guarulhos é o que mais registrou colisões com aves nos últimos 15 anos, totalizando 2.119 ocorrências. Medidas estão sendo adotadas para mitigar esses riscos, como a remoção de ninhos e controle da vegetação. Um estudo de Flavio Antonio Coimbra Mendonça revela que 67% dos casos entre 2020 e 2022 envolveram animais de médio porte, e 93% dos choques ocorreram na área do aeroporto. O aumento das operações aéreas e a maior silenciosidade dos aviões modernos são apontados como fatores que contribuem para o crescimento das colisões.
O incidente recente no Rio de Janeiro gerou preocupações entre os passageiros do voo LA3367, que teve que retornar ao Galeão após um impacto que danificou a fuselagem. O CEO da Latam, Jerome Cadier, expressou sua preocupação com possíveis ações judiciais decorrentes do cancelamento do voo. Por outro lado, o CEO da Azul, John Rodgerson, defendeu que os operadores dos aeroportos deveriam compartilhar os custos relacionados a esses incidentes. Coimbra sugere que tanto as companhias aéreas quanto os passageiros podem buscar reparação se houver evidências de negligência por parte dos aeroportos. Desde 1988, colisões com aves resultaram em 262 mortes e destruição de 250 aeronaves globalmente, segundo o Australian Aviation Wildlife Hazard Group.
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