O Talibã proibiu o xadrez no Afeganistão, alegando que é um jogo de azar, o que vai contra suas leis religiosas. Um porta-voz do governo disse que o jogo será suspenso até que questões religiosas sejam resolvidas. Um proprietário de café em Cabul, onde as pessoas costumavam jogar xadrez, afirmou que respeitará a proibição, mas não concorda com os motivos. Desde que o Talibã voltou ao poder em 2021, várias atividades culturais têm sido restringidas, incluindo a proibição de competições de MMA e a música em locais públicos. Recentemente, 14 pessoas foram presas por tocarem instrumentos musicais em uma reunião, o que também é proibido. As autoridades têm intensificado a repressão a práticas culturais, como a música em shows e na televisão.
O governo talibã proibiu o xadrez, considerando-o um jogo de azar, o que infringe as leis de moralidade. A decisão foi anunciada no domingo, 11 de maio, por Atal Mashwani, porta-voz da Direção de Esportes. Segundo ele, o xadrez é visto como uma forma de apostar dinheiro, prática que é vetada pela lei de Propagação da Virtude e Prevenção do Vício (PVPV), aprovada no ano passado.
A proibição do xadrez se insere em um contexto de crescente repressão a atividades culturais no Afeganistão. Desde que o Talibã reassumiu o poder em 2021, diversas atividades e esportes foram banidos, incluindo competições de MMA, consideradas muito “violentas”. O críquete, por outro lado, ainda é amplamente praticado, mas restrito apenas aos homens.
Além da proibição do xadrez, o Talibã prendeu 14 pessoas por tocarem instrumentos musicais e cantarem em uma reunião clandestina em Takhar. A polícia local afirmou que a prática é proibida desde a volta do grupo ao poder. As autoridades abriram investigações contra os detidos, que foram acusados de causar distúrbios à ordem pública.
Azizullah Gulzada, proprietário de um café em Cabul, onde o xadrez era jogado, afirmou que respeitará a proibição, mas questionou os argumentos religiosos. Ele destacou que muitos países muçulmanos têm jogadores de xadrez de nível internacional e que, antes da proibição, jovens frequentavam seu estabelecimento para jogar sem a intenção de apostar.
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