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Pokomo luta pela restituição do tambor sagrado Ngadji, confiscado em 1902

Open Restitution Africa lança microgrants para apoiar pesquisas sobre restituição cultural, destacando vozes africanas em negociações.

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Os Pokomo, um povo do Quênia, perderam seu tambor sagrado, o Ngadji, em 1902, quando oficiais britânicos o confiscaram. Desde então, muitos membros da comunidade se converteram ao cristianismo ou ao islamismo, o que dificultou a realização de cerimônias tradicionais. Atualmente, eles lutam para recuperar o tambor do Museu Britânico. A Open Restitution Africa (ORA) lançou microgrants para apoiar pesquisadores independentes na coleta de dados sobre restituição cultural, destacando a importância de incluir vozes africanas nas discussões. Um dos beneficiários, William Mutta Tsaka, usou um microgrant para estudar o caso do Ngadji e descobriu que a recuperação do tambor enfrenta problemas internos na comunidade. A ORA também busca mudar a narrativa sobre a restituição de objetos culturais, mostrando que o processo é mais complexo do que simplesmente devolver itens. Além disso, a organização criou uma plataforma de dados para ajudar na pesquisa e na identificação de padrões que possam acelerar a restituição de objetos confiscados.

Restituição Cultural: Iniciativa da Open Restitution Africa

A Open Restitution Africa (ORA) lançou recentemente microgrants para apoiar pesquisadores independentes na coleta de dados sobre esforços de restituição cultural. A iniciativa visa incluir vozes africanas nas discussões sobre a devolução de objetos culturais, especialmente após a perda de itens significativos durante o colonialismo britânico.

Um exemplo é o caso do Ngadji, um tambor sagrado dos Pokomo, que foi confiscado em mil novecentos e dois. Desde então, a comunidade, localizada no sudeste do Quênia, viu uma significativa conversão religiosa, dificultando a realização de cerimônias tradicionais. O pesquisador William Mutta Tsaka, com um microgrant de R$ 1,65 mil, documentou a luta da comunidade para recuperar o tambor do Museu Britânico.

A ORA, com um financiamento de R$ 600 mil da Mellon Foundation, busca apoiar a pesquisa sobre restituição cultural. Os fundadores, Chao Maina e Molemo Moiloa, perceberam que a demanda por apoio era maior do que o esperado, já que muitos pesquisadores independentes dependiam de arrecadação comunitária antes da criação dos microgrants.

Desafios na Restituição

Os microgrants da ORA são considerados os primeiros a financiar acadêmicos independentes na África. Tsaka, em sua pesquisa, entrevistou membros da comunidade Pokomo e representantes da iniciativa Recovery of the Ngadji, que busca a devolução do tambor. No entanto, a recuperação enfrenta obstáculos devido a desentendimentos internos na comunidade.

Tsaka enfatiza a importância de envolver a comunidade local nas negociações. Ele afirma que a devolução de objetos culturais deve ser uma decisão coletiva, e não apenas de ONGs ou instituições externas. O Museu Britânico e a iniciativa de recuperação não comentaram sobre o processo de negociação.

A ORA também destaca que a discussão sobre restituição vai além dos Bronzes de Benin, frequentemente mencionados na mídia. A organização busca diversificar as narrativas sobre a restituição, abordando casos de restos humanos e outros artefatos menos divulgados.

Plataforma de Dados e Futuro da Restituição

A ORA está desenvolvendo uma plataforma de dados aberta, que será lançada no final do ano. O objetivo é fornecer recursos qualitativos e quantitativos para facilitar o avanço de casos de restituição. Maina afirmou que a iniciativa busca identificar padrões que ajudem a acelerar o processo de devolução de objetos confiscados.

A pesquisa da ORA revela que a luta pela restituição de objetos culturais tem ocorrido em grande parte nos bastidores, entre museus e líderes nacionais. Com os novos dados, a organização espera que as comunidades africanas possam reivindicar seus bens de forma mais eficaz.

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