O Brasil enfrenta problemas sérios na coleta de dados meteorológicos, com muitas estações automáticas quebradas. Um levantamento mostrou que 15 das 26 capitais têm falhas nas estações, algumas sem dados há meses. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) está com cortes no orçamento e falta de profissionais, o que dificulta a manutenção das estações. Em média, as 564 estações automáticas do país têm uma taxa de pane de 22,4%, e as mais antigas, com cerca de 25 anos, apresentam panes em quase 30% do tempo. A maioria das estações tem mais de dez anos, e apenas três novas foram instaladas nos últimos cinco anos. Isso afeta a precisão das previsões meteorológicas, já que dados imprecisos podem levar a informações erradas sobre o clima. Além disso, o Brasil depende de dados de satélites estrangeiros para monitorar o clima, enquanto planeja lançar seu próprio satélite nos próximos anos. O Inmet reconhece os problemas, mas afirma que a qualidade das previsões não é afetada. O instituto também anunciou planos para aumentar o número de estações, começando pelo Rio Grande do Sul.
O Brasil enfrenta sérios problemas na coleta de dados meteorológicos, com uma rede de estações automáticas envelhecida e uma taxa de pane significativa. Um levantamento recente revelou que quinze das 26 capitais brasileiras têm falhas nas estações automáticas, com algumas cidades sem dados há meses. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) enfrenta cortes orçamentários e falta de profissionais, o que compromete a manutenção das estações.
Dados do Inmet mostram que as 564 estações automáticas do país têm uma taxa média de pane de 22,4% das horas de operação. Isso significa que, em média, a cada cinco horas, as estações deixam de captar dados por uma hora. As estações mais antigas, com cerca de 25 anos, apresentam panes em quase 30% do tempo. Cidades como Salvador, Brasília e Manaus estão entre as mais afetadas.
A análise indica que 497 estações (88,1%) têm mais de dez anos. Nos últimos cinco anos, apenas três novas estações foram instaladas. Especialistas alertam que a falta de dados confiáveis compromete a precisão das previsões meteorológicas, especialmente em um cenário de emergência climática. O professor Ricardo de Camargo, da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a falta de dados reais dificulta a construção de modelos de previsão eficazes.
Desafios e Consequências
A situação é crítica em várias capitais. Em Aracaju (SE), a estação automática não mede temperatura desde 17 de outubro de 2024. Recife (PE) perdeu a cobertura do Inmet em 2021, e em Teresina (PI), as estações pararam em 2024. Em Palmas (TO), a estação automática não registra dados desde abril do ano passado. O professor Artur Jacobus, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), afirma que 15 capitais estão “praticamente no escuro”.
Além disso, a distribuição geográfica das estações é desigual, com áreas do Norte do Brasil, como a Amazônia Legal, apresentando lacunas significativas. O Amazonas, por exemplo, possui apenas 19 estações, menos que estados menores como Tocantins e Piauí.
Orçamento e Futuro
O Inmet enfrenta cortes orçamentários que impactaram a manutenção das estações. O orçamento caiu de R$ 29,1 milhões em 2020 para cerca de R$ 15 milhões em 2023. Embora o governo tenha anunciado um plano de reestruturação com um aporte de R$ 200 milhões, a falta de profissionais é preocupante. O número de meteorologistas caiu de 71 para 27 nos últimos anos.
O Inmet afirma que suas estações têm padrão elevado e que a atual política de manutenção visa realizar ao menos duas manutenções anuais em cada estado. No entanto, a falta de novos profissionais e a necessidade de modernização da infraestrutura permanecem desafios significativos para a meteorologia no Brasil.
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