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‘Panelas’ do Discord: moeda do Roblox financiava automutilação e ataques a moradores de rua

Polícia Civil de São Paulo investiga adolescentes que usavam plataformas digitais para organizar ataques violentos, afetando mais de 400 vítimas.

Site da Roblox — Foto: Bloomberg
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  • A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação na quinta-feira (3) para desarticular grupos de jovens que organizavam atos de violência em plataformas digitais como Discord.
  • Nove adolescentes foram identificados como líderes desses grupos, que pagavam por ataques a moradores de rua e outros crimes.
  • A investigação revelou que os jovens utilizavam transações bancárias e a moeda digital Robux, da plataforma Roblox, para remunerar os executores dos atos violentos.
  • A operação cumpriu 22 mandados em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará e Pernambuco, afetando mais de 400 vítimas.
  • Um adolescente residente na França foi identificado como financiador das atividades, oferecendo pagamentos de até R$ 2 mil por ato violento e planejando um ataque a uma escola no Rio Grande do Sul, que não foi concretizado.

Adolescentes foram alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo na quinta-feira (3), identificados como líderes de grupos no Discord que organizavam ataques a moradores de rua e outros atos violentos. A investigação revelou que esses jovens utilizavam transações bancárias e a moeda digital Robux, da plataforma Roblox, para remunerar os executores dos crimes.

A operação cumpriu 22 mandados em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará e Pernambuco, atingindo nove adolescentes. A delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), destacou que mais de 400 vítimas foram afetadas pelas ações do grupo, que incluíam ataques a moradores de rua e práticas de automutilação.

Um adolescente brasileiro residente na França foi identificado como financiador das atividades, utilizando recursos próprios para adquirir materiais como máscaras e facas, além de oferecer pagamentos que chegavam a R$ 2 mil por ato violento. Segundo a delegada, o jovem buscava poder e temido entre seus pares.

Os grupos no Discord, conhecidos como “panelas”, são apontados como canais de recrutamento para ações violentas. A delegada mencionou que o uso do Robux é comum, com jovens passando longas horas na plataforma. O Discord, por sua vez, afirmou estar colaborando com as autoridades e investindo em segurança e moderação para proteger seus usuários.

Além dos ataques a moradores de rua, a operação identificou um planejamento de ataque a uma escola no Rio Grande do Sul, que não foi concretizado. A Roblox não se manifestou sobre o caso até o fechamento desta reportagem, enquanto o Discord reiterou que atividades ilegais não são toleradas em sua plataforma.

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