- Uma ictiossauro grávida, chamada Fiona, foi descoberta no sul do Chile, datando de cerca de 131 milhões de anos atrás.
- O fóssil foi encontrado na bacia oceânica Roca Verdes, que se formou com a fragmentação do supercontinente Gondwana.
- Fiona tinha aproximadamente quatro metros e continha um feto de cerca de 50 centímetros, além de restos de peixes, indicando que os ictiossauros davam à luz filhotes vivos.
- A pesquisa, conduzida por Matthew Malkowski e Judith Pardo-Pérez, destaca a relação entre geologia e paleontologia, utilizando camadas de cinzas vulcânicas para datar o fóssil.
- Uma nova expedição está programada para janeiro, e uma tomografia computadorizada revelou outro feto completo dentro do fóssil de Fiona.
Cerca de 131 milhões de anos atrás, uma ictiossauro grávida, batizada de Fiona, nadava em mares que hoje correspondem ao sul do Chile. Sua morte está ligada à fragmentação do supercontinente Gondwana, que causou a abertura da bacia oceânica Roca Verdes. Matthew Malkowski, professor de ciências geológicas da Universidade do Texas, sugere que essa pode ser a abertura inicial do Oceano Atlântico Sul.
As forças geológicas que separaram os continentes também provocaram vulcões e terremotos, que, por sua vez, desencadearam deslizamentos submarinos. Esses deslizamentos podem ter aprisionado os ictiossauros, levando-os ao fundo do cânion e cobrindo-os com sedimentos. Judith Pardo-Pérez, professora da Universidade de Magallanes, explica que o sepultamento preservou o corpo de Fiona, que tinha cerca de quatro metros. Com o tempo, os sedimentos endureceram, transformando-se em rocha.
Em 2009, Pardo-Pérez descobriu os ossos de Fiona, que estavam cobertos por um glaciar. Em 2022, uma equipe de pesquisadores conseguiu escavar o esqueleto quase intacto, dividido em cinco blocos de 180 quilos cada. O fóssil recebeu o nome de Fiona devido a uma reação química que deixou seus ossos com uma coloração verde fluorescente. Além do esqueleto, os pesquisadores encontraram um feto de aproximadamente 50 centímetros e restos de peixes, indicando que os ictiossauros davam à luz filhotes vivos.
Interação entre Geologia e Paleontologia
A pesquisa sobre Fiona destaca a relação entre geologia e paleontologia. As rochas fornecem informações sobre o ambiente em que os animais viveram, enquanto o registro fóssil ajuda a testar hipóteses sobre as mudanças nas correntes oceânicas. Malkowski e Pardo-Pérez colaboraram para determinar a época em que Fiona viveu, utilizando camadas de cinzas vulcânicas para datar o fóssil.
Os ictiossauros, que subiam à superfície para respirar, provavelmente se alimentavam de peixes que necessitavam de oxigênio dissolvido na água. Isso sugere que um canal se abriu, permitindo a oxigenação das águas. A bacia de Roca Verdes, rica em fósseis, abriga outros 87 ictiossauros já encontrados. Com o derretimento do glaciar, o clima rigoroso está desgastando os fósseis.
A próxima expedição de Pardo-Pérez está agendada para janeiro. O sítio é considerado o mais rico e bem preservado do planeta para esse período. Recentemente, uma tomografia computadorizada revelou outro feto completo preservado dentro do fóssil de Fiona, surpreendendo ainda mais os pesquisadores.
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