- Pesquisa do Pew Research Center ouviu 33.486 pessoas em 25 países ao longo de 2025 para entender o que faz alguém se sentir orgulhoso do país.
- No conjunto, 16 dos 25 países apontaram o próprio povo como principal motivo de orgulho, geralmente entre 20% e 35%; no Brasil, 25% citaram o povo.
- Países com motivos marcados por outros elementos: Suécia (53% citam o sistema político), Alemanha (36% governança e democracia), Itália (38% patrimônio cultural), Grécia (37% história antiga) e Japão (41% ética do povo).
- Além disso, 17% dos brasileiros responderam com críticas ao orgulho nacional; o Reino Unido lidera as reclamações, com 29%.
- O texto também discute a formação de mitos nacionais no Brasil, destacando períodos históricos como o Império, o Estado Novo e debates sobre patriotismo versus nacionalismo.
O Pew Research Center ouviu 33.486 pessoas em 25 países ao longo de 2025 para entender o que faz cada um se orgulhar do próprio país. A pergunta permitia respostas abertas, sem modelos pré-definidos.
Os resultados sugerem que o patriotismo, visto como orgulho, pertencimento e identidade coletiva, não passa por boa fase em várias nações. Em 16 dos 25 países, o motivo principal foi o grupo de pessoas, com percentuais entre 20% e 35%.
Na Suécia, 53% citaram o sistema político como principal motivo de orgulho. Na Alemanha, 36% valorizaram governança e democracia. Na Itália, 38% destacaram patrimônio cultural. Na Grécia, 37% lembraram a história antiga. No Japão, 41% associaram-se à ética do povo.
No Brasil, o quadro aparece mais fragmentado. Cerca de 25% apontam o povo como principal motivo de orgulho. Geografia e meio ambiente aparecem com 17%, diversidade 10%, artes e cultura 9%, posição internacional 9% e economia 8%.
Sobre críticas, 17% dos entrevistados no Brasil disseram ter respostas negativas ao orgulho nacional. Entre os respondentes do Reino Unido, 29% expressaram descontentamento, reflexo de ceticismo que não necessariamente implica obrigações locais.
A criação dos mitos nacionais
Antes do século XX, o patriotismo brasileiro foi moldado de modo tardio. No período colonial, Portugal impediu autonomia, o que influencia a identidade até hoje. Dom Pedro II buscou legitimar o orgulho por meio de ciência, cultura e estabilidade.
No século 20, o regime de Getúlio Vargas vinculou patriotismo a uma propaganda estatal, gerando mitos nacionais que persistem. Autores e pensadores discutem como essas narrativas moldaram o imaginário cívico brasileiro.
Para pensadores como Burke e Scruton, o amor à pátria nasce da continuidade histórica e de instituições estáveis. O patriotismo não deve se confundir com nacionalismo xenófobo ou slogans vazios.
O artigo destaca que, no Japão, a ética do trabalho é parte do orgulho nacional. No Brasil, hoje, há um questionamento sobre o papel do sistema político e a percepção de pertencimento dentro de uma ordem democrática.
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