- Estudo observational aponta que(GLP-1) usados para diabetes e obesidade podem reduzir o risco de pessoas sem histórico de uso de substâncias desenvolver problemas relacionados ao álcool, cannabis, cocaína, nicotina e opioides.
- Análise acompanhou 606.434 veterans dos EUA com diabetes tipo 2, por até três anos.
- Reduções relativas: álcool 18%, cannabis 14%, cocaína 20%, nicotina 20% e opioides 25% em comparação com pacientes que usavam outro medicamento (SGLT-2).
- Entre quem já usa substâncias, os GLP-1 associaram-se a menor chance de overdose (39%), necessidade de atendimento de emergência (31%) e morte (50%).
- Observação é de que se trata de estudo não experimental; não prova prevenção ou tratamento da dependência, e são necessárias mais pesquisas, inclusive ensaios clínicos.
O uso de fármacos GLP-1 para perda de peso pode reduzir o risco de uso de álcool, tabaco e drogas entre pessoas com diabetes tipo 2, aponta estudo. Pesquisadores analisaram dados de 606.434 veteranos dos EUA, acompanhados por até três anos.
O estudo comparou GLP-1s, como Mounjaro e Ozempic, a outros inibidores de SGLT-2. Constatou menor probabilidade de transtornos relacionados ao álcool (18%) e de uso de cannabis (14%), cocaína (20%), nicotina (20%) e opioides (25%).
Para usuários já em contato com substâncias, houve queda nos desfechos graves: 39% menos risco de overdose, 31% menos necessidade de atendimento em emergência e 50% menos mortes, segundo os dados apresentados.
Os resultados são observacionais, ressaltam os pesquisadores, incluindo a presidente da Royal Pharmaceutical Society, que reforçam a necessidade de ensaios clínicos para confirmar efeitos sobre o cérebro e o comportamento.
Especialistas também destacam a lenta implementação desses fármacos no NHS para obesidade, o que pode limitar ganhos potenciais de saúde pública, mesmo diante de benefícios observados em saúde geral.
Outra evidência relacionada aponta alta taxa de retorno do peso after interromper GLP-1s: meta-análise de 48 estudos indica que 60% retomam peso em um ano e 75% em dois anos, com apenas cerca de 25% da perda mantida a longo prazo.
Segundo a análise, metade dos usuários interrompe o tratamento em até um ano, e 75%param dois anos, geralmente por efeitos colaterais como náusea e pelo custo financeiro.
Dados de uma survey com 3 mil usuários mostraram que cerca de dois terços escondem o uso de GLP-1s de amigos ou familiares, para evitar julgamentos e a ideia de que recorreram a atalhos.
A pesquisa aponta que 38% já sofreram críticas por usar o medicamento; entre os relatos, 79% foram acusados de escolher o caminho fácil e 68% seguiam a orientação de apenas comer menos e se mover mais.
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