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Triangulação de fundos investigados envolve resort ligado à família Toffoli

CPI aponta rota de recursos de fundos investigados (Reag) para o Resort Tayayá ligado à família Toffoli; apuração busca origem e beneficiários finais

Família Toffoli e o resort de luxo — Foto: Reprodução/GloboNews
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  • Em 2020, os irmãos do ministro Dias Toffoli criaram a Maridt, que passou a ser sócia do Resort Tayayá.
  • Em 2021, a Maridt vendeu participação para o Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos; o valor declarado na Junta Comercial foi de R$ 3,1 milhões, mas registros da CVM apontam investimento de R$ 20 milhões.
  • O Fundo Leal investiu mais R$ 20 milhões no Fundo Arleen. O principal cotista do Arleen é o Fundo Leal, gerido pela Reag; o dono é Fabiano Zetel.
  • A Polícia Federal investiga a Reag por inflar o patrimônio do Banco Master, com dinheiro circulando entre empresas e valorizando até 1.000% em horas, sem sair do banco.
  • A CPI do Crime Organizado pediu quebra de sigilo da Reag e de Mansur e convocação dos irmãos Toffoli, José Eugênio e José Carlos Toffoli, além de João Carlos Mansur, para esclarecer a possível relação entre o dinheiro e o ministro.

A apuração aponta uma rota de dinheiro relacionada ao Resort Tayayá, no Paraná, ligada ao ministro do STF. A investigação envolve a relação entre fundos geridos pela Reag Investimentos, a empresa Maridt, os irmãos de Dias Toffoli e investidores vinculados ao Banco Master.

Segundo os documentos, a Maridt, criada em 2020 pelos irmãos de Toffoli, tornou-se sócia do Resort Tayayá em 2020 e permaneceu até 2025. A participação inicial foi negociada com o Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos.

A operação registra discrepâncias entre o valor declarado e o efetivo aporte. A Junta Comercial aponta R$ 3,1 milhões, mas registros da CVM indicam aportes de R$ 20 milhões no empreendimento.

A empresa Leal Fundo de Investimento, com Fabiano Zetel como único cotista, investiu mais R$ 20 milhões no Fundo Arleen, que por sua vez recebeu recursos para o resort. O elo comum é a Reag, gestora que já foi alvo de apurações anteriores.

Estrutura e objetivos da apuração

A Polícia Federal aponta que a Reag utilizava fundos para inflar o patrimônio do Banco Master, com operações que poderiam valorizar ativos em até 1.000% em curto prazo, sem movimentação física do dinheiro.

A linha de investigação sugere que parte do dinheiro tenha sido lavado por meio da aquisição de participações no resort. A PF busca saber se os compradores tinham conhecimento da origem dos recursos e de quem eram os vendedores.

Pelo lado político, o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio da Maridt, o que marca pela primeira vez a relação formal entre o ministro e o empreendimento. A composição societária não era conhecida na Junta Comercial, já que a Maridt figurava como S.A. de Capital Fechado, o que facilita omissão de acionistas não administradores.

O que está em foco na CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado encaminhou pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag e de João Carlos Mansur. Também houve pedido de convocação dos irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, bem como de Mansur.

O objetivo é esclarecer se há relação direta entre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, cunhado de um empresário ligado ao Banco Master, e a estrutura financeira que transferiu recursos para o Resort Tayayá.

A apuração continua para esclarecer a origem dos recursos, a participação de Toffoli e familiares e o papel da Reag Investimentos na cadeia de investimentos envolvendo o resort.

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