- Nos últimos meses, alguns departamentos de sheriff na Califórnia passaram a não atender chamadas de crise de saúde mental quando não há crime divulgado.
- Em fevereiro, o sheriff de Sacramento, Jim Cooper, informou que os agentes só iriam a crises mentais se houvesse crime, atividade criminosa ou perigo iminente; em maio, o chefe de polícia de El Cajon, Jeremiah Larson, adotou decisão similar.
- Outras agências, como o gabinete do sheriff do condado de Ventura e a polícia de Long Beach, disseram que vão atender a todas as chamadas, mas podem não permanecer se não houver crime ou ameaça para terceiros.
- A tendência surge diante de dados que mostram resultados catastróficos quando a polícia lidera essas ocorrências, e surgem questionamentos sobre o impacto real em áreas com recursos alternativos limitados.
- Em San Diego, equipes de atendimento psiquiátrico (Pert) co-respondem com a polícia em crises, e serviços como o 988 oferecem apoio sem intervenção policial na maioria dos casos.
O número de condados na Califórnia que desvia de responder a chamados de crise de saúde mental vem aumentando. Em relatos recentes, alguns departamentos de xerife anunciaram que só atenderão situações em que haja crime em curso ou risco imediato para terceiros, abrindo espaço para outras soluções.
Em fevereiro, o xerife de Sacramento, Jim Cooper, informou que os agentes somente iriam a crises de saúde mental nesses moldes. Em maio, o chefe de polícia de El Cajon, Jeremiah Larson, adotou decisão similar. Outros departamentos, como o de Ventura e o de Long Beach, afirmam que ainda atendem a todos os chamados, mas podem se ausentar se não houver crime ou ameaça.
O objetivo dessas mudanças é reduzir o uso de força policial em situações de saúde mental. Dados nacionais mostram que muitas mortes envolvendo policiais ocorrem em confrontos com pessoas em crise. No estado, California registrou ao menos 274 óbitos nesse perfil entre 2015 e 2024, segundo levantamento de Washington Post.
Especialistas apontam que a retirada de policiais dessas ocorrências depende de alternativas que ainda não existem de forma universal. Em El Cajon, o fire department expressou preocupação com a sobrecarga de casos, levando a ajustes na cooperação com a polícia. Em San Diego, há um programa de Intervenção de Resposta Psiquiátrica (PERT) que coage com as autoridades, com mais de 70 clínicos vinculados.
Segundo a San Diego Community Research Foundation, o programa PERT vem crescendo por demonstrar eficácia na desescalada de crises e encaminhamento para serviços de saúde mental, com mais de 90% de sucesso em difusão de crises. No entanto, a disponibilidade varia conforme a região, e mapas de calor ajudam a distribuir as equipes.
Organizações de defesa de saúde mental ressaltam que a melhoria depende de recursos como centrais de atendimento 24 horas, resposta de profissionais não policiais e centros de recebimento de emergências. Pesquisas indicam que grande parte da população apoia a resposta de saúde mental em vez de força policial, ainda que haja desafios de implementação.
Em termos práticos, quando policiais não intervêm, centros de comando costumam orientar os chamados a recursos como a linha 988 ou serviços locais de crise, com apoio de equipes de saúde mental que podem atuar em conjunto com a polícia apenas se necessário. A convivência entre serviços ainda depende de acordos locais e financiamento.
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