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Delegados da PF pressionam Lula por recursos para enfrentar o crime organizado

Delegados da PF pressionam Lula pela criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas para reinvestir ativos no combate ao crime e na modernização

Associação de delegados da PF alerta para sobrecarga de atribuições e defende criação de fundo com recursos confiscados do crime. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
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  • A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal enviou uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo medidas urgentes para a sustentabilidade da PF.
  • A nota destaca que a estratégia de combate ao crime tem mostrado resultados, com recuperação de aproximadamente R$ 16,4 bilhões entre 2024 e 2025.
  • A ADPF aponta fragilidade interna, afirmando que a PF recebe novas atribuições sem recomposição orçamentária, o que gera evasão de talentos.
  • Nos últimos três anos, 104 delegados tomaram posse e 50 deixaram a instituição; os concursos caíram de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025.
  • A associação defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), com recursos de confisco reinvestidos na PF e a instituição de uma Gratificação de Eficiência Institucional (GEI). O pedido é pelo envio imediato do projeto de lei ao Congresso.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) enviou uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira, 30, solicitando medidas urgentes para garantir a sustentabilidade da PF. O documento foi assinado pelo presidente da entidade, Edvandir Paiva. A carta reconhece o apoio recente do Planalto, mas aponta risco operacional devido a dificuldades estruturais e orçamentárias.

Segundo a ADPF, a estratégia de combate ao crime tem gerado resultados históricos, com recuperação de aproximadamente 16,4 bilhões entre 2024 e 2025. Ainda assim, a entidade vê fragilidade interna causada por novas atribuições legais e operacionais sem recomposição orçamentária.

A associação destaca que a sobrecarga de funções, somada à falta de garantias institucionais, tem levado à evasão de talentos. Nos últimos três anos, 104 novos delegados tomaram posse, mas 50 autoridades saíram da instituição em busca de outras carreiras.

A nota aponta ainda que o interesse pela carreira caiu, com queda no número de inscritos em concursos públicos: de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025. A ADPF diz que a PF não pode ficar em desvantagem institucional frente a outras carreiras e órgãos congêneres.

Proposta do FUNCOC e medidas solicitadas

Entre as medidas apresentadas, a ADPF defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, conhecido como FUNCOC. O mecanismo reinvestiria recursos confiscados no próprio combate ao crime, com foco em modernização tecnológica e em uma nova Gratificação de Eficiência Institucional (GEI).

A GEI seria vinculada à valorização profissional e ao aumento da recuperação de ativos ilícitos. A associação também pede ao governo o envio imediato do Projeto de Lei instituindo o FUNCOC ao Congresso, além da mobilização para apreciação rápida, diante do calendário eleitoral.

O texto enfatiza que a aprovação do FUNCOC, com ajustes já encaminhados pela ADPF ao Diretor-Geral da Polícia Federal, enviaria mensagem clara à sociedade de que o produto do crime é utilizado no combate ao próprio crime. A campanha solicita ainda apoio do governo para acelerar a tramitação.

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