- Salvino Oliveira, vereador do Rio pelo PSD, foi preso hoje na megaoperação Contenção Red Legacy, dirigida contra o núcleo do Comando Vermelho.
- Ele tem 28 anos e foi eleito para o primeiro mandato em 2024; seu projeto mais conhecido prevê regras para imóveis usados para aluguel de temporada.
- A operação prendeu ao menos seis pessoas; Salvino é o único preso cuja identidade foi divulgada, segundo a Polícia Civil.
- A denúncia aponta que o vereador teria negociación com o traficante Doca (Edgar Alves de Andrade) para campanha na Gardênia Azul e para beneficiar a facção, incluindo quiosques na região.
- Doca é considerado o principal líder do CV em liberdade; Salvino negou as acusações ao chegar à Cidade da Polícia, dizendo que entrou na política para mudar a vida das pessoas e que é vítima de uma briga política.
O vereador do Rio Salvino Oliveira (PSD) foi preso nesta manhã durante a operação Contenção Red Legacy, direcionada a integrantes do CV (Comando Vermelho). A ação é conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e envolve buscas por ligações entre o crime organizado e candidatos na cidade.
Salvino Oliveira, 28 anos, foi eleito para o primeiro mandato em 2024 com pouco mais de 27 mil votos. Seu destaque parlamentar é um projeto que regula imóveis usados para aluguel de temporada, como o Airbnb. Ele já foi secretário municipal mais jovem da história do município, aos 22, atuando entre 2021 e 2024, na gestão de Eduardo Paes.
A operação mira familiares do líder do CV, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, que permanece preso desde 1996. Segundo a polícia, Salvino estaria em negociação direta com um agente da facção para permitir atividades de campanha na Gardênia Azul, área de influência do grupo. Em contrapartida, haveria articulação de benefícios à facção e à população local, incluindo a instalação de quiosques na região, com critérios de escolha sob controle da facção.
Doca, apontado como líder do CV em liberdade, foi alvo de ações anteriores da polícia e figura central na megaoperação de 2025 no Complexo do Alemão e da Penha, que resultou em dezenas de mortes. Em seu depoimento à imprensa, Salvino negou vínculos com Marcinho VP e com a instalação dos quiosques, afirmando estar diante de uma possível repreensão política e reiterando o desejo de transformar a vida da comunidade.
Operação, desdobramentos e próximos passos
A Polícia Civil não divulgou formalmente o conteúdo completo das investigações neste momento, limitando-se a confirmar os objetivos da operação e a detenção de Salvino Oliveira. As apurações continuam para esclarecer a relação entre o vereador, a campanha eleitoral e as ações da facção dentro da comunidade da Gardênia Azul.
Autoridades consideram essencial esclarecer as responsabilidades legais envolvendo o uso de espaços públicos e a eventual cooperação com organizações criminosas. O desdobramento pode implicar em novas chamadas de testemunhas, diligências adicionais e possíveis pedidos de novas medidas judiciais.
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