- O ex‑ministro da Justiça da Polônia, Zbigniew Ziobro, fugiu da Hungria para os Estados Unidos, conforme confirmou no domingo.
- Ziobro é acusado na Polônia de chefiar uma organização criminosa, abuso de poder e uso de recursos destinados a vítimas para comprar spyware israelense Pegasus; ele nega as acusações e diz sofrer perseguição política.
- O novo premiêr húngaro, Péter Magyar, afirmou que o país não será mais “quebralinha” para criminosos procurados internacionalmente, citando Ziobro entre os exemplos.
- A Ansa sugere que Ziobro estaria nos EUA com vínculo jornalístico; a República (telejornal conservador) informou que ele chegou ao país e supostamente tem visto de jornalista.
- O atual ministro da Justiça da Polônia, Waldemar Zurek, afirmou que haverá extradição caso seja confirmada a entrada de Ziobro nos EUA sem documentos válidos; Ziobro declarou estar pronto para enfrentar qualquer tribunal.
Polônia: ex-ministro da Justiça Zbigniew Ziobro deixou a Hungria com destino aos Estados Unidos, após Orbán conceder asilo a ex-assessor do governo húngaro no ano passado. Ziobro confirmou a fuga em uma entrevista à rede Republika.
Ele enfrenta acusações de liderança de uma organização criminosa e abuso de poder, com pena prevista de até 25 anos de prisão caso seja condenado. As denúncias incluem desvio de verbas de vítimas de crime para a compra de spyware Pegasus.
Ziobro sustenta que as acusações são parte de uma caça às bruxas promovida pelo governo central. A fuga ocorre em meio a mudanças políticas na Hungria, com o novo primeiro-ministro Péter Magyar assumindo o cargo recentemente.
O ex-ministro polonês, que liderou o partido conservador Sovereign Poland e atuou como ministro da Justiça entre 2015 e 2023, também é conhecido por reformas judiciais controversas. Tais ações contribuíram para atrito com a União Europeia.
Segundo a imprensa húngia, Ziobro estaria nos Estados Unidos desde ontem, com relatos de registro em aeroporto de Newark. Não está claro como ele venceu a revogação de seus passaportes poloneses e diplomáticos.
O governo polonês, representado pelo ministro da Justiça Waldemar Zurek, confirmou que vai contatar EUA e Hungria para entender a base legal da entrada de Ziobro nos EUA sem documentos válidos. Também foi anunciada a possível solicitação de extradição.
A Repórblica informou que Ziobro teve visto de jornalista dos EUA vinculado à emissora, que o contratou como comentarista político no país. A redação de Ziobro em território americano não foi explicada pelas autoridades.
Em foco: contexto político e judicial
A Hungria, após a saída do governo de Orbán, afirmou que não mais protegeria criminosos procurados internacionalmente, citando Ziobro e o ex-subsecretário Marcin Romanowski. A declaração acentuou a tensão entre a Polônia e seus aliados europeus.
Polônia e União Europeia já discutem impactos das reformas judiciais promovidas por Ziobro, consideradas por Bruxelas como comprometedoras da independência do Judiciário. As autoridades polonesas ressaltam a importância de responsabilização.
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