- Cuba classifica o bloqueio dos EUA como genocídio; Trump lançou nova Ordem Executiva em 29 de janeiro para punir quem venda petróleo à ilha.
- O embargo, vigente há cinquenta e seis a sessenta e seis anos, agrava a crise energética, já que Cuba dependia de derivados de petróleo para parte significativa da energia, estimada em cerca de oitenta por cento até dois mil e vinte e três.
- O governo cubano afirma que as medidas visam submeter o país e violam sua soberania, agravando as dificuldades da população.
- Em resposta, Cuba tem adotado medidas de austeridade e investido em energia solar, com instalação de cerca de mil megawatts, elevando a participação da geração solar diurna de três para cerca de dez por cento; prioriza hospitais, escolas e residências com crianças.
- A comunidade internacional rejeita as medidas; Rússia e China criticam e oferecem apoio; China doou arroz e o México enviou ajuda humanitária, enquanto o turismo permanece impactado pela falta de combustível.
O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou o bloqueio econômico e energético dos EUA como uma política genocida, destinada a privar a população de subsistência. A entrevista ocorreu na Embaixada de Cuba, em Brasília, para abordar o endurecimento do embargo em vigor há décadas.
Curbelo ressaltou que o bloqueio, ampliado desde o governo Trump, dificulta importação de petróleo e aumenta o sofrimento cubano. Ele lembrou que Cuba depende de energia para geração elétrica, saúde e alimentação, e que a medida viola soberania cubana e a do restante do mundo.
O governo cubano acusa a nova Ordem Executiva de punir países que vendem petróleo a Cuba. A medida já elevou a tensão econômica, agravando apagões e reduzindo disponibilidade de combustível para transporte e serviços públicos.
Contexto internacional e impactos
Curbelo explicou que Cuba está intensificando ações de austeridade, priorizando saúde, educação e residências que precisam de energia. O país investe em energia solar e na elevação da capacidade de refino de petróleo, buscando reduzir dependência externa.
Segundo o embaixador, a geração solar já representa quase 40% da eletricidade diurna, com crescimento de participação de 3% para 10% no total. Mesmo assim, o déficit energético persiste pela escassez de combustível e armazenamento.
O turismo, fonte relevante de divisas, sofre com a restrição de voos e com o custo de manter operações sem combustível. Além disso, o setor privado cubano enfrenta dificuldades ao tentar manter atividades essenciais sem petróleo importado.
Reação internacional e próximos passos
Curbelo afirmou que há rejeição global à política americana e citou apoio de blocos como o Movimento Não Alinhado. Países como Rússia, China e México teriam manifestado solidariedade a Cuba e auxílio humanitário em diferentes frentes.
O embaixador destacou ainda que a cooperação internacional é crucial, não apenas em declarações, mas por meio de ações concretas de apoio à resistência cubana. O governo cubano mantém o oferecimento de diálogo respeitoso com os EUA, desde que não haja ingerência externa.
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