- O comitê de assuntos exteriores afirma que o esforço de Keir Starmer para redefinir a relação do Reino Unido com a União Europeia carece de direção, definição e impulso.
- A cimeira de Lancaster House, em maio, melhorou substancialmente a relação política, mas o governo não apresentou prioridades estratégicas claras.
- Faltam prazos, marcos e prioridades; o governo parece sem visão ambiciosa para a nova relação com a UE, segundo o relatório.
- Até o momento, apenas o acordo sobre o Erasmus foi anunciado; outras áreas, como regulação de químicos, reconhecimento de qualificações e turismo de músicos, ficaram de fora.
- O documento critica o custo de participação no novo programa de defesa Safe (€ 2 bilhões) e cobra transparência, pedindo um white paper para a próxima fase.
Keir Starmer enfrenta críticas de comitê parlamentar sobre o reinício do relacionamento do Reino Unido com a UE. O relatório aponta que a reaproximação carece de direção, definição e impulso, apesar de avanços em alguns aspectos.
O comitê de assuntos exteriores analisou meses de depoimentos e avaliou o encontro de Lancaster House, em maio passado, como marco positivo para a relação política após anos de atrito com Bruxelas. Ainda assim, a avaliação é de que faltam prioridades estratégicas.
Segundo o parecer, o governo não apresenta prazos, marcos ou prioridades, o que cria a impressão de que a UE avança mais em atender às suas demandas urgentes do que o Reino Unido. O relatório recomenda clareza de visão e objetivos.
Emily Thornberry, presidente do comitê e deputada do Labour, afirmou que apesar de progressos, o reinício mostra fr-opacidade e ausência de um objetivo claro, o que compromete a condução da nova relação com a UE.
O texto sustenta que, sem uma estrutura e uma visão com metas definidas, os erros tendem a se repetir na segunda rodada de negociações, prevista para ocorrer após a próxima cúpula bilateral, em julho.
Avanços e rasos no acordo
A cúpula de maio foi considerada histórica e abriu caminho para um acordo formal que visava ampliar programas como juventude, Erasmus e regras para exportação de alimentos. Até agora, apenas o Erasmus foi anunciado.
Entre as áreas ainda sem avanço estão a regulamentação de químicos, conformidade de padrões, reconhecimento mútuo de qualificações profissionais e concessões para músicos em turnê, que não foram incluídas no acordo.
O relatório também critica mudanças recentes do objetivo do lado europeu, ao exigir contribuição financeira para o desenvolvimento econômico de países da UE de menor renda, demanda não mencionada na cúpula anterior.
A ofensiva de custos do projeto é destacada como problematical: o preço estimado de 2 bilhões de euros para a participação inicial no Safe, programa de defesa da UE, é visto como elevado.
Perspectivas e próximos passos
O comitê elogia a parceria de segurança e defesa entre Reino Unido e UE, mas pede que as partes avancem mais rápido. A ideia é ampliar cooperação e acelerar decisões entre Estados-membros.
Comentários sugerem que o Reino Unido está discutindo um segundo fundo para Ukraine e questões orçamentárias, como salários de professores e médicos, com possível financiamento por empréstimos da UE.
O relatório, intitulado From a Common Understanding to Common Ground: Building a UK-EU Strategic Partnership Fit for the Future, foi divulgado nesta quarta-feira, pedindo transparência e um plano claro para a próxima fase das negociações.
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