- O debate sobre terras raras no Brasil ganhou fôlego após a ofensiva dos EUA, com foco na importância estratégica dessas reservas para tecnologia e dados.
- O Brasil detém a segunda maior reserva mundial, mas a produção local é residual, o que aumenta o risco de dependência externa.
- A proposta defendida é manter o controle nacional sobre o mineração e o refino, com a criação de uma empresa estatal de terras raras e participação do setor privado nacional, via financiamento público e parcerias com transferência de tecnologia.
- O texto sugere que, no curto prazo, alianças com empresas estrangeiras podem ocorrer para etapas mais complexas, desde que haja transferência tecnológica e integração com cadeias produtivas locais.
- Ampliar a cooperação regional, principalmente com outros países da América Latina, seria estratégico para fortalecer a cadeia de minerais críticos e reduzir a dependência externa.
O debate sobre terras raras no Brasil ganhou contornos estratégicos após a ofensiva de Donald Trump contra a economia brasileira, que gerou discussões sobre tarifas e relações comerciais. O tema, no entanto, envolve o interesse dos EUA em reservas brasileiras e em infraestrutura de dados no país.
Brasília e Washington buscaram alinhamento, com declarações de vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro Fernando Haddad e o encarregado de negócios americano, Gabriel Escobar. A leitura central aponta para a intenção de manter hegemonia tecnológica, financeira e militar dos EUA, segundo especialistas.
O assunto envolve duas frentes cruciais: o controle de terras raras e a infraestrutura de dados, que avançam como pilares da nova economia mundial. O Brasil detém reservas relevantes, mas ainda tem baixa produção, o que amplia o peso estratégico do tema.
O peso das terras raras
As terras raras, 17 elementos químicos, estão ligadas a setores como energia renovável, semicondutores e defesa. Dados do USGS indicam o Brasil como segunda maior reserva mundial, atrás da China, que domina produção e refino. A dependência de insumos depende de cadeias globais complexas.
A China controla grande parte da oferta global e de tecnologia associada, o que alimenta a preocupação dos EUA com diversificação de fornecedores. Em 2024, a China respondia por a maior parcela de produção, com o Brasil ainda em estágio inicial de exploração.
Cenário estratégico e caminhos nacionais
O texto aponta que entregar a exploração a empresas estrangeiras representaria risco à soberania tecnológica brasileira. Em contrapartida, o Brasil pode buscar controle nacional por meio de uma estatal de terras raras, com monopólio de extração e refino, para regular o ritmo de exploração.
Parcerias com o capital privado seriam viáveis, desde que haja transferência de tecnologia e integração com cadeias produtivas locais. A proposta incluiria apoio financeiro do BNDES e da Finep, com participação estatal em determinadas etapas de produção.
Parcerias e inserção internacional
Com a China como parceira natural, o Brasil poderia explorar acordos que viabilizem tecnologia e desenvolvimento conjunto. Entretanto, seria decisivo avaliar até que ponto Pequim aceitaria transferências além de commodities, e como isso afetaria a indústria nacional.
O texto pondera a importância de ampliar o eixo regional, considerando a América Latina. Reservas de cobre, lítio, níquel e grafite intensificam a ideia de uma estratégia conjunta via blocos regionais, para fortalecer soberania e competição econômica.
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