- Lula discursou no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, em Cidade do Panamá, defendendo uma integração mais autônoma da região e criticando unilateralismo e “tentações hegemônicas” sem citar os EUA diretamente.
- Ele afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos é um fator inevitável na atual disputa global por influência e recursos estratégicos.
- O presidente disse que a região vive um dos piores momentos de retrocesso na integração, devido à intolerância política, fragmentação ideológica e dificuldade de transformar discurso em ação.
- Embora a União Europeia seja citada como referência, Lula destacou que diferenças históricas, econômicas e culturais tornam inviável, no curto prazo, um projeto de integração tão profundo quanto o europeu.
- Chamou as lideranças regionais a não esperar soluções externas e reforçou a importância de um projeto próprio de inserção internacional, afirmando que somente a região pode resolver seus problemas.
- O presidente também destacou que a integração em infraestrutura não tem ideologia e defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente e segura há quase três décadas, em contraste com propostas dos EUA.
- O fórum permanece até quinta-feira, reunindo líderes, empresários e representantes internacionais.
O presidente Lula participou da abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, promovido pelo CAF, na Cidade do Panamá, nesta quarta-feira, 28. Em funcionamento como palco para líderes e empresários, ele defendeu uma integração regional mais autônoma e criticou o ressurgimento do unilateralismo. O discurso ocorreu em meio a debates sobre influência global e recursos estratégicos.
Lula afirmou, de forma indireta, que a proximidade com os Estados Unidos é um fator inevitável para a região, seja pela presença ou pelo distanciamento. Ele apontou que a competição por influência é uma realidade, e classificou gestos de neocolonialismo como retrocessos históricos. A avaliação é de que o cenário atual demanda novos arranjos regionais.
O presidente avaliou que o momento de integração regional está entre os mais complexos, atribuindo-o à intolerância política e à fragmentação ideológica. Segundo ele, paradigmas do passado, como pan-americanismo e bolivarianismo, não atendem aos desafios atuais. A União Europeia foi citada como referência, sem que haja viabilidade de replicar o mesmo nível de aprofundamento no curto prazo.
Defesa de autonomia regional
Ao longo do discurso, Lula destacou que soluções externas não devem substituir ações locais para questões estruturais. Ele afirmou que a falta de convicção entre lideranças sobre benefícios de um projeto próprio enfraquece a região. A ideia é fortalecer uma inserção internacional mais autônoma.
Na conclusão, improvisada, o presidente pediu responsabilidade aos países da região. Segundo ele, nenhum país resolverá sozinho seus problemas; a região precisa de vontade coletiva para avançar, caso contrário haverá continuidade de dificuldades econômicas.
Canal do Panamá
Lula ainda enfatizou que a integração em infraestrutura não tem ideologia e defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, administrado há quase três décadas de forma neutra, eficiente e segura. O tema surge em meio a controvérsia com administrações norte-americanas que defendiam maior controle sobre o canal.
O fórum segue até quinta-feira, 29, reunindo líderes, empresários e representantes de organizações internacionais da região. Diversos assuntos sobre cooperação regional devem ser discutidos, com foco em investimentos e comércio. Créditos de fontes oficiais foram usados para compor o relato.
Entre na conversa da comunidade