- Brasil recebe em Brasília, na quinta-feira, a reunião da 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação, com o primeiro-ministro russo e ministros do Kremlin.
- O objetivo é retomar a cooperação entre os dois países, suspensa desde 2015, para ampliar integração e ações conjuntas entre ministérios.
- Um dos pontos em pauta é manter a dependência brasileira de fertilizantes russos e discutir meios de pagamento em moedas locais, além do uso do dólar como tema de debate.
- A aproximação é vista como potencial fator de tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já pressionou países da região a reduzir influência russa e chinesa.
- Analistas ressaltam que o move pode indicar direção da política externa brasileira, gerando críticas sobre neutralidade e impacto nas relações com Washington e outros blocos internacionais.
O governo brasileiro vai realizar em Brasília, nesta quinta-feira, 5, uma reunião com o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, e ministros do Kremlin. O objetivo é retomar a CAN, comissão de alto nível de cooperação, suspensa desde 2015, para ampliar a integração entre Brasil e Rússia. O encontro ocorre após meses de guarda fechada por causa do conflito na Ucrânia e tem potencial para influenciar relações com os Estados Unidos.
A 8ª reunião da CAN contará com oito ministros russos, três vice-ministros e representantes de agências e do setor privado. O objetivo principal é consolidar ações entre ministérios e investidores, buscando uma cooperação estável e de longo prazo. Um dos pontos em pauta envolve a continuidade da dependência brasileira de fertilizantes russos e possíveis alternativas de pagamento que não usem o dólar.
Analistas observam que o retorno do diálogo Brasil-Rússia ocorre em contexto de tensões geopolíticas. A delegação brasileira defende diversificação de parcerias e multilateralismo, enquanto Washington monitora movimentos regionais. A posição de Lula busca equilibrar relações com diversas potências, diante de pressões para reduzir a influência russa e chinesa na região.
Contexto estratégico
Especialistas destacam que o tema de moedas locais e o uso de meios de pagamento alternativos ao dólar surgem como prioridade nas negociações. A Rússia pode buscar maior peso brasileiro nessas frentes para ampliar influência política e econômica. Em paralelo, questões comerciais, como fertilizantes, também aparecem como ponto de negociação relevante.
Alguns parlamentares e acadêmicos argumentam que a aproximação com Moscou aumenta a sensibilidade da política externa brasileira às decisões americanas. Para eles, o Brasil precisa gerir com cautela o espaço entre cooperação com a Rússia e preservação de relações sólidas com os Estados Unidos.
Para especialistas, oBRICS é o quadro de referência da agenda externa brasileira. Pesquisadores destacam que propostas de moedas locais e liderança brasileira no bloco podem desafiar interesses norte-americanos, o que agrega complexidade ao equilíbrio diplomático.
Perspectivas e limites
Analistas confirmam que a prática de neutralidade na política externa pode ficar mais restrita diante do acirramento entre potências. A percepção de alinhamento com Moscou, segundo eles, tende a influenciar o tratamento dos EUA à agenda brasileira, inclusive em áreas como comércio e tecnologia.
Céticos ressaltam que o comércio entre Brasil e Rússia é relativamente pequeno e depende fortemente de commodities. O risco, segundo essas avaliações, está em ampliar vínculos estratégicos em áreas sensíveis como defesa e tecnologia, o que poderia provocar retaliações.
Especialistas destacam também o papel do cenário eleitoral de 2026. A relação com a Rússia pode ser explorada pela oposição como exemplo de alinhamento político, o que elevou o tom das disputas. Ainda assim, a avaliação sobre a influência russa na eleição brasileira permanece incerta entre especialistas.
Observações finais
A avaliação geral aponta que a CAN representa um teste de capacidade do Brasil de balancear interesses geopolíticos distintos. Embora não haja conclusão, o processo destaca a continuidade de uma política externa pragmática, com foco em diversificação de parcerias e cooperação estratégica.
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