- Epidemia de ebola na República Democrática do Congo já deixou 91 mortes e cerca de 350 casos suspeitos, com a maioria entre 20 e 39 anos e mais de 60% das vítimas sendo mulheres.
- O epicentro é Ituri, província no nordeste, na fronteira com Uganda e Sudão do Sul, região de mineração de ouro com deslocamentos diários de população.
- O vírus já se espalhou para além da RDC, com duas mortes em Uganda; a Africa CDC classifica o risco como alto para países vizinhos; a OMS acionou o segundo nível de alerta internacional.
- Não existe vacina nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo; medidas atuais seguem prevenção e detecção rápida para reduzir contatos.
- Primeiro caso identificado em 24 de abril, em Bunia, com o foco provável em Mongbwalu, a cerca de 90 quilômetros da cidade, sugerindo disseminação a partir dessa região.
O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo informou que a epidemia de Ebola declarada na sexta-feira passada já resultou em 91 mortes e cerca de 350 casos suspeitos. A confirmação oficial é baseada principalmente em casos suspeitos, já que poucas amostras foram analisadas em laboratório até o momento. O surto teve início em Ituri, no nordeste do país, perto das fronteiras com Uganda e Sudão do Sul.
A região de Ituri é palco de intensa atividade mineradora, com deslocamentos frequentes de população. O epicentro geográfico da transmissão situa-se próximo a Mongbwalu, a cerca de 90 km de Bunia, capital regional. O primeiro caso identificado ocorreu em 24 de abril, em um enfermeiro que procurou atendimento em Bunia.
A Organização Mundial da Saúde classificou a situação como emergência sanitária internacional. O órgão já elevou o nível de alerta para o segundo patamar mais alto diante da rápida evolução dos casos. O serviço regional Africa CDC também aponta risco elevado para países vizinhos da África Oriental.
O vírus em circulação é a cepa Bundibugyo, distinta da Zaire. Não há vacina nem tratamento específico contra essa variante. Medidas atuais enfatizam prevenção, detecção precoce e isolamento para reduzir contatos. Vacinas disponíveis até hoje são eficazes apenas contra a cepa Zaire.
Dados adicionais indicam que a maioria dos afetados está entre 20 e 39 anos, com mais de 60% do sexo feminino. O Brasil e outras nações acompanham o desenrolar com atenção aos desdobramentos regionais e à possibilidade de novas exportações de casos.
Segundo especialistas, o surto atual pode tornar-se entre as sete maiores epidemias já registradas fora da Zaire, caso todos os casos suspeitos se confirmem. A OMS e autoridades congolesas mantêm investigações epidemiológicas para identificar a origem e os caminhos da transmissão.
Informações oficiais indicam ainda que a resposta inicial enfrentou entraves logísticos e de segurança. Grupos armados na região e desafios de acesso dificultam a atuação de equipes de saúde e de vigilância epidemiológica.
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