- Em 2025, foram registrados mais de 84 mil desaparecimentos no Brasil, o maior nível desde o início da série em 2015.
- A taxa nacional ficou em 39 casos por 100 mil habitantes ao longo do ano.
- São Paulo respondeu por cerca de 24% do total, com 20.564 casos.
- Crianças e adolescentes somaram 23.919 desaparecimentos em 2025, uma média de 66 por dia e 8% acima de 2024.
- Especialistas apontam subnotificação e reforçam campanhas para estimular o registro imediato de ocorrências e a localização de pessoas.
O registro de pessoas desaparecidas no Brasil voltou a subir em 2025, atingindo 84 mil casos. O indicador é o maior desde o início da série histórica, em 2015, e supera os números anteriores à pandemia de Covid-19. Os dados são consolidados pelo Sinesp.
Os números são enviados pelos estados e pelo Distrito Federal e integram o painel Pessoas Desaparecidas e Localizadas. A taxa nacional de desaparecidos ficou em 39 casos por cada 100 mil habitantes ao longo de 2025.
Iara Buoro Sennes, coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, ressalta a subnotificação possível de pessoas encontradas. Familiares registram o desaparecimento, mas nem sempre comunicam a localização posterior, o que inflaciona o total.
Ela aponta que campanhas de registro imediato ajudam a reduzir atrasos. Segundo a especialista, houve aumento da visibilidade e da formalização dos casos, mesmo com oscilações anuais.
Panorama por estado
São Paulo concentra 1 em cada 4 registros, com 20.546 casos (44,59 por 100 mil). Minas Gerais soma 9.139, Rio Grande do Sul 7.611 e Paraná 6.455, com taxas variando entre 14,21 e 67,75 por 100 mil.
Rio de Janeiro tem 6.331 desaparecimentos (36,76 por 100 mil) e Santa Catarina 4.317 (52,73). Bahia registrou 3.929 (26,42). Goiás registra 3.631 (48,91) e Pernambuco 2.745 (28,71).
Outros estados com números expressivos incluem Ceará (2.578), Espírito Santo (2.421) e o Distrito Federal (2.235). Roraima apresenta a taxa mais alta, com 78,1 desaparecidos por 100 mil habitantes.
Crianças e adolescentes
Em 2025, 23.919 registros envolveram menores de 18 anos, média de 66 casos diários, alta de 8% frente a 2024. Casos de crianças continuam em foco com ações de busca e integração de protocolos.
Nas últimas semanas, o caso dos irmãos Ágatha Isabelly (6) e Allan Michael (4) mobilizou a comunidade de Bacabal (MA). As buscas entraram na quarta semana, com apoio de equipes locais.
O uso do Alerta Amber cresce como ferramenta de comunicação emergencial. O sistema envia avisos em casos de risco e utiliza plataformas digitais para divulgar informações a até 200 quilômetros do desaparecimento.
Entre as unidades, Roraima apresenta a maior taxa de desaparecidos infantis por 100 mil habitantes, seguida por Rio Grande do Sul e Amapá, segundo o levantamento do Sinesp.
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