- Com o vencimento do New START, não existem mais limites legais para os dois maiores arsenais nucleares pela primeira vez em mais de cinco décadas.
- A Rússia modernizou cerca de 95% de suas armas estratégicas e criou um grande arsenal tático estimado em cerca de 1.500 armas, fora do acordo existente.
- A China tem mais de 600 ogivas e pode chegar a mil até 2030, com tríade nuclear completa e capacidade de ataque com aviso de lançamento.
- A administração americana tentou dialogar, mas a China condiciona qualquer conversa à redução de transparência e vê controle de armas como vulnerabilidade.
- O cenário passou a ser trilateral, com cooperação entre Rússia e China e maior risco de erro de cálculo; cerca de quarenta países teriam capacidade de produzir armas nucleares; há debates sobre deterrência independente na Coreia do Sul e no Japão.
O fim da era de estabilidade nuclear parece ter ganhado um marco definitivo com o vencimento do NEW START, acordo que limitava arsenais entre EUA e Rússia. Pela primeira vez em mais de cinco décadas, não existem limites legais entre as duas maiores potências nucleares. A comunidade internacional encara esse momento com cautela e incerteza sobre o futuro da dissuasão.
A atualização do panorama aponta que a Rússia modernizou a maior parte de seus arsenais estratégicos, segundo relatos do presidente Vladimir Putin. Além disso, Moscou ampliou um arsenal regional de até 1.500 armas táticas, que ficaram fora do acordo. Durante o conflito na Ucrânia, o tom de ameaça nuclear tem sido utilizado de forma frequente pela liderança russa.
Do lado chinês, a trajetória de crescimento nuclear ganhou escala radical. Em 2012 havia cerca de 240 ogivas; hoje, autoridades norte-americanas estimam pouco mais de 600, com projeção de atingir 1.000 até 2030. Pequim desenvolve um triade nuclear completo: mísseis terrestres, submarinos com mísseis balísticos e armas lançadas por ar, além de sinais de maior prontidão elevada.
A administração de Joe Biden buscou conter o aumento por meio de diálogo, pressionando Pequim a entrar em negociações. A resposta chinesa foi endurecida: transparência e verificação são vistas como vulnerabilidades, não como mecanismos de construção de confiança. Controle de armas é visto como entrave a ser evitado.
A dinâmica resultante é de competição tripolar, mais complexa do que o cenário bipolar da Guerra Fria. Rússia e China demonstram cooperação técnica e exercícios conjuntos com capacidades nucleares. Em 2023, um comitê de postura estratégica americano alerta para o risco de agressões oportunistas ou pressão coordenada.
Dados recentes indicam que dezenas de países possuem know-how para produzir armas nucleares, expandindo o raio de proliferação possível. O sistema internacional de não proliferação enfrenta tensões crescentes, com dúvidas sobre a garantia de proteção a aliados e de responsabilidades entre potências.
Deveres e opções em debate na prática incluem a relação entre dissuasão gerenciável e rearmamento competitivo. Países asiáticos ponderam caminhos independentes de dissuasão, com debates em países como Coreia do Sul e Japão ganhando relevância estratégica. Se tais movimentos forem iniciados, podem estimular mudanças regionais adicionais.
A evolução da dissuasão envolve relação entre tecnologia, redes cibernéticas e sensores espaciais. Alarmes falsos, leituras incorretas ou crises rápidas podem intensificar riscos de escalada. A simplificação de decisões estratégicas, antes mais previsíveis, tende a diminuir com a multiplicidade de atores e cenários.
Este texto revisita uma conclusão tradicional: a era de estabilidade baseada em um eixo dominante pode estar se esvaindo, abrindo espaço para complexidade e incerteza na ordem nuclear global. O debate sobre segurança, transparência e acordos construtivos permanece em aberto.
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