- Mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas ou sumidas no México, crise que afeta milhares de famílias.
- Relatório de México Evalúa mostra alta de mais de 200% nos desaparecimentos nos últimos dez anos, refletindo o avanço de cartéis no território e em novos mercados.
- Cartéis expandem territórios, recrutamento forçado e recorrem a assassinatos de rivais, enterros em valas sem identificação, queima de corpos ou dissolução em ácido para ocultar a violência.
- Governo criou a Comissão Nacional de Busca em 2018, mas com orçamento inadequado; em 2024 a contagem de desaparecidos caiu após revisão, provocando críticas de ativistas.
- Caso de Ángel Montenegro, sequestrado em agosto de 2022 em Cuautla; a família continua buscando o filho, encontrando corpos em poços de investigação, mas sem localizar Montenegro.
O Ministério Público de México registra mais de 130 mil casos de pessoas desaparecidas ou dadas como ausentes no país. A cifra revela a evolução de uma crise que se estende por décadas, com impactos diretos em famílias e comunidades inteiras.
Um relatório da México Evalúa aponta que, nos últimos 10 anos, o número de desaparecimentos aumentou mais de 200%. O estudo relaciona o crescimento à expansão de grupos criminosos, ao controle territorial e à diversificação de atividades criminosas além do tráfico de drogas.
O panorama institucional mostra fragilidades: o governo criou, em 2018, a Comissão Nacional de Busca para localizar pessoas, com plataforma pública de registro. Contudo, pouca verba e mudanças políticas reduziram a efetividade do mecanismo, segundo analistas.
Caso ilustrativo, Ángel Montenegro, 31 anos, foi levado em agosto de 2022 em Cuautla, Morelos, após ser rendido por homens em uma van branca. O colega dele foi largado no meio da rua; Montenegro não apareceu.
O pai de Montenegro, departamento de Patrícia García, relata que a família ficou sem pistas após a ação. A mãe, que também acompanhou a busca, descreve dias de desespero desde o sequestro, com apenas um boné e uma peça de tênis como vestígios.
Continuidade da crise e visão de especialistas
Dispositivos de busca sozinho não bastam para cobrar resultados rápidos. Armando Vargas, analista de segurança, afirma que a violência letal se manifesta por meio de execuções que não são imediatamente visíveis, com desaparecimentos usados para ocultar crimes.
Segundo Vargas, o recrutamento forçado e o domínio de novas áreas alimentam a expansão dos grupos. Mortes de rivais costumam atrair menos atenção que a ocultação de corpos, prática que dificulta investigações.
Muitos grupos também atuam em tráfico de órgãos, exploração sexual e tráfico de pessoas, além de contrabando de migrantes. Esses componentes ampliam o volume de casos relacionados a desparecimentos.
Desafios do sistema e vozes da sociedade
O governo não consegue acompanhar o ritmo da violência e da expansão cartelar. Em 2022, a ONU reportou altas taxas de crimes não solucionados no país, reforçando a percepção de falhas institucionais.
Em meio a esse cenário, famílias como a de Montenegro costumam buscar recursos próprios. García integra um coletivo de 12 mulheres que atua na região, vasculhando áreas suspeitas com ferramentas simples em busca de indícios de enterros.
A cada novo campo vasculhado, as montagens de restos e evidências revelam o grau de dificuldade. Mesmo quando são encontrados corpos, muitos casos seguem sem solução ou identificação precisa.
Embora haja adeptos às reformas, a avaliação externa sugere subnotificação e subregistro, o que complica a compreensão real da dimensão da crise. Autoridades prometem ações, mas the pace de respostas permanece questionado.
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