- Promotor Lincoln Gakiya afirmou que os Estados Unidos não considerarão a opinião do governo brasileiro ao discutir a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
- Reuniões recente(s) com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, visam entender a atuação internacional do PCC, segundo Gakiya.
- O governo brasileiro tenta adiar a decisão até uma eventual reunião entre Lula e Donald Trump, prevista para ocorrer nos EUA ainda neste mês.
- Gakiya alerta para consequências econômicas e diplomáticas, como sanções internacionais ou dificuldades de acesso a bancos multilaterais, caso haja mudança de classificação.
O promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya, afirmou que os Estados Unidos não devem levar em conta a opinião do Brasil ao discutir a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração ocorreu após encontros com assessores do secretário de Estado, Marco Rubio, que buscam entender a atuação da facção.
Gakiya informou que representantes norte-americanos manifestaram interesse em conhecer a estrutura internacional do PCC, que ele acompanha há cerca de duas décadas. Em entrevista à GloboNews, ele explicou que os EUA não consideram a posição do Brasil suficiente para decidir sobre a classificação.
O governo brasileiro tenta impedir que Washington avance no tema, que pode classificar PCC e CV como terroristas. A estratégia é adiar a decisão até uma reunião entre Lula e Trump prevista para ocorrer nos EUA ainda neste mês, com data ainda não marcada.
Em 2025, autoridades americanas estiveram em Brasília e em São Paulo para mapear a atuação da facção e avaliar impactos no Brasil e no exterior. Gakiya deve se reunir novamente com representantes dos EUA nesta semana, antes de uma reunião com a DEA, o FBI e o Departamento de Estado em Boston, ainda neste mês.
O promotor destacou que o PCC é uma organização mafiosa com atuação transnacional em mais de 28 países e que comete atos de natureza terrorista, sem ter motivações políticas, religiosas ou ideológicas. Ele também citou a possibilidade de o rótulo dificultar a cooperação entre Brasil e EUA.
Caso a classificação mude, afirmou, as informações entre o Ministério Público brasileiro, o FBI e a DEA poderiam passar a depender de procedimentos da CIA, o que reduziria o acesso direto de investigadores nacionais. Ele ainda apontou riscos econômicos e diplomáticos para o Brasil.
Gakiya ressaltou que essa mudança não traria ganhos práticos para as investigações internas. Segundo ele, classificar as facções como terroristas não assegura melhoria imediata no combate ao crime organizado nem facilita a recuperação de ativos.
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