- No Border Security Expo em Phoenix, o foco ficou em ferramentas de vigilância invisíveis ou quase invisíveis, como simulações de situações de violência com sons e imagens realistas.
- Autoridades e fornecedores sustentam que a fronteira está mais segura, com recordes de apreensões no interior e um discurso de equivalência entre tecnologia e controle migratório. Em março, houve 8.268 abordagens no sudoeste, ante 137.473 há dois anos, em grande parte devido a mudanças de política sobre pedidos de asilo.
- A ênfase passou a ser o monitoramento interno: informações obtidas com entrevistas a migrantes são repassadas rapidamente a agentes do interior, para futuras prisões longe da fronteira.
- Companhias como Babel Street vendem plataformas de análise de dados abertos e privados (inclui rastreamento de redes sociais e localização), usadas pela Alfândega e Proteção de Fronteiras desde 2015; organizações de direitos relevaram uso de dados de localização sem mandado.
- O evento destacou também equipamentos físicos (câmeras, drones, barreiras flutuantes e até acessórios táticos) e treinamentos de contenção com simulações, evidenciando que o debate sobre segurança é cada vez mais tecnológico e abrangente.
Nosso repórter acompanhou a Border Security Expo, em Phoenix, Arizona, de 5 de maio de 2026. O foco não foi apenas o que os visitantes podiam ver, mas o que não se via. A ideia era apresentar ferramentas de vigilância que operam fora do foco comum.
Os protagonistas incluem o Departamento de Segurança Interna (DHS), autoridades de fronteira e dezenas de empresas fornecedoras. Entre elas, VirTra apresentou simuladores de treinamento, enquanto Babel Street ofereceu plataformas de análise de dados em grande escala. Há também tecnologia de Cochrane USA e Anduril no mix de expositores.
A abertura contou com o discurso de autoridades ligadas à fronteira. A sessão destacou avanços em monitoramento e em operações de dentro para fora do país. Em meio à celebração, surgiram questionamentos sobre o uso de dados e o alcance da vigilância.
Tecnologia invisível e vigilância interior
O salão exposto mostrou câmeras, sensores, drones e barreiras flutuantes. Produtos como o V-300 S-Screen Simulator compõem o portfólio de treinamento. A ideia é ampliar o que já está instalado no deserto e estender a monitorização ao interior.
Participantes ressaltaram que a queda de apreensões nas fronteiras se deve principalmente a políticas, não apenas à tecnologia. Dados oficiais indicam reduções expressivas de entradas no sudoeste, com mudanças em políticas de asilo.
Cá entre nós, executivos de vendor afirmaram não ver fim na demanda. A previsão é de continuidade de investimentos em tecnologias de vigilância, controles de acesso e sistemas de interdição de áreas.
Contratos, debates e controvérsias
Entre as ferramentas, havia soluções para proteção de perímetro, vigilância de cidades e monitoramento de redes sociais. Babel Street usa dados de milhões de URLs e redes sociais para rastrear relações entre pessoas.
Relatores destacaram contratos do DHS com fornecedores desde 2015, somando dezenas de milhões de dólares. Críticas sobre privacidade e uso de dados foram mencionadas, sem alterações de políticas anunciadas no evento.
O debate destacou ainda operações de contenção de cartéis, com menção a ações militares no Caribe e no Pacífico. Participantes afirmaram que, apesar de o foco ser fronteira, o esforço é de alcance nacional.
O evento também mostrou ferramentas de controle de multidões e equipamentos táticos. O ambiente refletiu a tensão entre ampliar segurança e preservar liberdades civis, sem apontar soluções simples.
Entre na conversa da comunidade