- O deputado Ed Husic alertou que a Austrália precisa de um plano B para o acordo Aukus, citando produção lenta nos EUA e o caráter “transacional” da gestão Trump como risco ao acordo de submarinos.
- O governo de Richard Marles concordou em aceitar três submarinos Virginia de segunda mão, em vez de uma mistura de modelos novos e usados, conforme solicitado pelos EUA.
- A produção de submarinos nos estaleiros norte‑americanos está entre 1,1 e 1,2 unidades por ano, abaixo da taxa necessária de 2,33 para cumprir o cronograma original.
- Husic questionou se a Austrália conseguirá receber os submarinos prometidos, sugerindo a necessidade de um plano de contingência diante da realidade de produção nos EUA.
- Internamente, cresce a oposição ao Aukus no Partido Trabalhista, com críticas que podem aquecer no congresso nacional de julho em Adelaide.
Australia estuda plano de contingência para o acordo Aukus, diante de dúvidas sobre o ritmo de produção dos EUA e a natureza do acordo com a administração Trump, aponta o deputado trabalhista Ed Husic.
Husic afirmou, em reunião fechada do caucus do Labor, que a produção atual de submarinos nos Estados Unidos é insuficiente para entregar as unidades prometidas na década de 2030. O pacote envolve submarinos de classe Virginia, usados, com substituição por um modelo australiano na década de 2040.
Segundo ele, a parceria depende de o governo australiano pagar por capacidade de produção, mas não há garantia de entrega quando as próprias frotas dos EUA estiverem com demanda elevada. A fala de Husic marca a crítica interna mais significativa ao acordo desde o fim de 2023.
Desdobramentos políticos
Husic também sugeriu que o governo precisa considerar uma estratégia alternativa caso o cronograma não seja cumprido, destacando questionamentos sobre soberania e confiança no cumprimento das promessas. Ele citou a possibilidade de uma renegociação, ressaltando a necessidade de um plano B.
O ministro da Defesa, Richard Marles, anunciou recentemente que a Austrália aceitará três submarinos Virginia usados, em vez de uma combinação de unidades novas e antigas, conforme pedido dos EUA. A declaração foi feita após conversas com autoridades americanas em Cingapura.
Atualmente, a produção anual de submarinos nos estaleiros dos EUA fica entre 1,1 e 1,2 unidades, abaixo do ritmo de 2,33 por ano necessário para manter o cronograma do Aukus, segundo a visão de Husic. O acordo foi firmado em 2021 pelo governo anterior e continua em vigor.
A oposição conservadora reagiu, com o líder da bancada liberal questionando a legitimidade de críticas dentro do Labor e cobrando explicações públicas sobre a viabilidade do plano. Entre apoiadores, cresce o debate sobre o custo e o cronograma da parceria.
No mesmo dia, foi anunciada uma investigação independente sobre o Aukus, com Peter Garrett à frente, o que acirra o debate público e pode influenciar decisões futuras no partido. Comissões anteriores já apontaram a ausência de escrutínio parlamentar adequado.
Em Adelaide, a conferência nacional do Labor se aproxima, mês em que rivais interna e externamente devem discutir o futuro do acordo. Grupos da base trabalhista defendem uma revisão da política de defesa e da adesão ao Aukus.
Observa-se, ainda, resistência de setores da base trabalhista a manter referências ao Aukus na plataforma nacional, sob a pressão de movimentos que defendem maior foco em pacotes de segurança alternativos e em diálogo com a população.
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