- Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, criticou publicamente a ala “Neoconservadores em Conserva” da Acadêmicos de Niterói, chamando a fantasia de zombaria contra evangélicos.
- A ala retratava fantasias de lata com o rótulo “Família em Conserva” e alega representar a “família tradicional” e grupos associados ao neoconservadorismo no Brasil.
- A escola afirmou defender a liberdade de expressão artística; o desfile ocorreu na Marquês de Sapucaí, com Lula assistindo ao lado do prefeito do Rio.
- Reações conservadoras foram de repúdio: o presidente da Frente Parlamentar Evangélica classificou a fantasia como inadmissível; Damares Alves e Nikolas Ferreira falaram em retaliação política; o PT defendeu a autonomia da escola.
- Sobre o uso de verbas públicas, houve ações judiciais: o Novo solicitou suspensão de repasse, o TCU negou; ações de Damares e Kataguiri foram rejeitadas e o TSE negou pedido de proibição do desfile.
Michelle Bolsonaro (PL) criticou publicamente, na segunda-feira (16), o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí. Segundo ela, a ala Neoconservadores em Conserva foi uma zombaria contra a fé cristã e usou linguagem depreciativa associada a grupos evangélicos.
A ala trazia foliões com fantasias de lata, rótulo com casal heterossexual e filhos, e a frase Família em Conserva. A sinopse oficial alegorizava a dita família tradicional e grupos ligados ao neoconservadorismo, incluindo evangélicos, setor do agronegócio, mulheres de alta renda e defensores do regime militar.
Michelle sustentou que o desfile promovia zombaria e humilhação. Ela pediu posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica, alegando que a laicidade não autoriza humilhação a milhões de brasileiros. A ex-primeira-dama pediu defesa institucional para os evangélicos.
Reações de lideranças conservadoras
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Gilberto Nascimento, classificou a fantasia como inadmissível e afirmou que adotaria medidas cabíveis. Para ele, houve tentativa de ridicularizar mais de 70 milhões de cristãos brasileiros, ainda que a escola tenha recebido verbas públicas.
A senadora Damares Alves afirmou que o governo federal teve acesso prévio ao roteiro da escola, apoiando o ato de ridicularizar a igreja evangélica como liberdade artística. Já o deputado Nikolas Ferreira associou o tema ao cenário eleitoral, sugerindo que o episódio possa influenciar votos.
O PT divulgou nota defendendo o desfile como expressão de liberdade artística e ressaltando a autonomia da escola, sem caracterizar propaganda eleitoral antecipada.
Contexto do desfile e ações judiciais
A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial com o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil. A apresentação ocorreu na noite de domingo (15), com 79 minutos de duração. Lula esteve no camarote da prefeitura, cumprimentando o mestre-sala e a porta-bandeira.
O desfile também retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como o palhaço Bozo, além de referências ao impeachment de Dilma Rousseff. A escolha do enredo já motivara impugnações anteriores, como representação do Novo no TCU para suspender repasse de R$ 1 milhão da Embratur, que foi negada.
Damares Alves e Kim Kataguiri moveram ações na Justiça Federal contra o presidente devido ao enredo; as ações foram rejeitadas. Um pedido de proibição do desfile também foi negado pelo TSE. As informações são apuradas por fontes da imprensa especializada.
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