- Abuso econômico por parceiro contribui para uma morte a cada 19 dias, segundo a organização Surviving Economic Abuse (Sea), com base em 231 dos 454 casos de revisões de homicídio doméstico analisados entre 2012 e 2024.
- O relatório indica que o abuso econômico ocorre junto com outras formas de violência e dificulta a fuga da vítima, mantendo-a ligada ao agressor.
- Menos da metade dos painéis que investigaram homicídios domésticos reconheceram o abuso econômico, sinalizando falhas na identificação do risco.
- Recomendações incluem incorporar o abuso econômico nas orientações de risco do governo e treinar profissionais para reconhecer sinais e intervir.
- O relato de Anna, cuja família ficou sem moradia desde 2008 devido ao controle financeiro do ex-parceiro, ilustra impactos duradouros do abuso econômico.
Economic abuse from a partner is linked to one death by homicide or suicide every 19 days, aponta a organização beneficente Surviving Economic Abuse (Sea). A conclusão vem de uma revisão de 454 Relatórios de Homicídio Doméstico entre 2012 e 2024.
Entre os casos analisados, 231 envolveram vítimas que sofreram abuso econômico de um parceiro atual ou anterior. O dado leva à avaliação de que a gravidade do abuso econômico ocorre em mais da metade dos registros, ainda que muitas situações não sejam reconhecidas nas análises.
A organização afirma que o abuso financeiro dificulta a fuga de situações perigosas e sustenta a relação de violência. O relatório aponta que agências costumam deixar de identificar sinais de abuso econômico e que diversas formas de controle financeiro foram usadas pelos aggressors, como restrição de acesso a dinheiro e indução a dívidas.
Dados-chave e impactos
A Sea ressalta que menos da metade dos painéis que investigaram homicídios domésticos reconheceu o abuso econômico. O risco é subestimado, segundo a entidade, o que reduz a capacidade de intervenção e apoio às vítimas.
A diretora-executiva da Sea, Sam Smethers, aponta que o abuso econômico persiste mesmo após a saída da relação e agrava o risco de novas violências. Ela recomenda integrar esse tipo de violência às diretrizes oficiais de gestão de risco e treinar profissionais para reconhecê-lo.
Casos e testemunhos
Anna*, mãe de dois filhos, relata instabilidade habitacional desde 2008 por causa do ex-parceiro. Segundo o relato, ele desviava dinheiro, vendia bens, impedia o trabalho da vítima e se apropriava de benefícios.
Anna descreve dificuldades para obter comida e moradia, dependencia de ajuda e um padrão de abuso financeiro que, segundo ela, permanece mesmo após o término da relação. O depoimento ressalta efeitos de longo prazo e impactos psicológicos.
A Sea recomenda ações de políticas públicas, como a integração do abuso econômico às orientações de prática de risco em violência doméstica, além de capacitar profissionais para reconhecer sinais desse tipo de violência e intervir precocemente.
Relevância para políticas públicas
O relatório aponta lacunas no conhecimento de profissionais sobre abuso econômico e reforça a necessidade de formação específica para equipes de avaliação de risco. A organização estima que cerca de 4,2 milhões de mulheres vivenciam esse tipo de violência anualmente.
Especialistas em defesa de vítimas destacam que compreender o abuso econômico pode ampliar as intervenções de proteção e reduzir a reincidência de abusos. O estudo cita ainda que, em muitos casos, o controle financeiro é utilizado como ferramenta de dominância prolongada.
Anna*, que prefira manter o anonimato, afirma estar surpresa apenas pela consistência dos achados, não pela própria experiência. Ela relata que, em momentos de crise, a sombra do abuso financeiro perdura, dificultando a busca por ajuda.
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