- Metade dos feminicídios de 2024 ocorreu em cidades com até 100 mil habitantes, totalizando 746 casos em municípios que abrigam 41% da população feminina brasileira.
- Ao todo foram 1.492 feminicídios no ano, equivalentes a quatro assassinatos de mulheres por dia.
- Em cidades muito pequenas, até 20 mil habitantes, houve 19,6% dos crimes; em municípios de 20 mil a 50 mil, foram 19,7%.
- Apenas 27,1% dos municípios de pequeno porte tinham ao menos um serviço da rede especializada de atendimento; mais de 70% não contam com equipamento específico para acolher mulheres em situação de violência.
- A pesquisa aponta uma “rota crítica” para buscar ajuda, com deslocamentos, relatos repetidos, atendimento desqualificado e demora em medidas protetivas; o perfil da vítima é, em geral, mulher negra, entre 30 e 49 anos, moradora da periferia ou do interior, often morta por parceiro ou ex-parceiro.
Metade dos feminicídios registrados no Brasil em 2024 ocorreu em cidades com até 100 mil habitantes, aponta o estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). No total, foram 1.492 casos, cerca de quatro por dia.
Do total, 746 aconteceram em municípios de pequeno porte, onde vivem 41% da população feminina brasileira. A pesquisa indica que a violência letal avança justamente onde há menos estrutura de proteção.
Para a diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, a concentração em cidades menores decorre da ausência de infraestrutura especializada, barreiras geográficas e pressões sociais típicas de comunidades menores.
O vazio institucional no interior
O estudo aponta que apenas 27,1% dos municípios de pequeno porte possuíam ao menos um serviço da rede especializada de atendimento. Assim, mais de 70% das cidades com menos de 100 mil habitantes não contam com equipamento específico para acolher mulheres em situação de violência.
A falta de Delegacias de Defesa da Mulher e casas abrigo é citada como um entrave estrutural. Embora exista a Lei Maria da Penha, a proteção não se transforma em garantia concreta nas áreas mais afastadas.
Desigualdade de acesso a serviços
Os dados revelam um desequilíbrio territorial nas políticas para as mulheres. O interior carece de políticas públicas estruturadas, o que aumenta a vulnerabilidade nessas regiões. A partir das informações, o FBSP reforça a necessidade de ampliar infraestrutura e proteção fora dos grandes centros.
Entre 2021 e 2024, foram registrados 5.729 feminicídios no país. A maioria das vítimas era negra, tinha entre 30 e 49 anos e era morta por parceiros ou ex-parceiros, em sua maioria por arma branca ou de fogo.
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