- Milhares de migrantes de Cuba, Haiti e Venezuela são deportados pelos Estados Unidos para México, ficando presos em limbo sem conseguir regularizar a situação.
- Segundo o governo americano, cerca de seis mil cubanos foram deportados para México no último ano; o governo mexicano informou ter recebido treze mil pessoas de várias nacionalidades até aquele momento.
- A prática de deportações a terceiros países ocorre sob um acordo não escrito entre os dois países, com custos elevados por pessoa, e sem detalhes públicos disponíveis.
- Casos como o de Jean, haitiano deportado para Cancún, mostram dificuldades: ele não tem documentos, não recebeu a notícia de recebimento do pedido de asilo e não consegue trabalhar.
- A Organização Internacional para as Migrações aponta que, entre as principais necessidades, estão renda, regularização de documentos e moradia; muitos recorrem a empregos informais para sobreviver.
O limbo dos deportados por Estados Unidos para o México ganhou contornos humanos e legais. Milhares de estrangeiros, entre cubanos, haitianos e venezuelanos, são enviados para território mexicano pela gestão de Donald Trump. O objetivo oficial é afastar pessoas que aguardam decisões migratórias.
Jean, haitiano de 33 anos, foi deportado para Cancún no fim de outubro de 2025. Transferido de Villahermosa, no estado de Tabasco, ele ficou sem acompanhamento oficial ao chegar ao sul do país. Hoje enfrenta dificuldades para regularizar a situação.
A situação mostra um padrão de deportações a terceiros países, prática não proibida, mas pouco comum até a ascensão da administração Trump. Autoridades estimam gasto elevado por pessoa enviada a destinos distantes, como África. México tem ficado como destino frequente.
Ao longo de 2024 e 2025, o México recebeu estrangeiros deportados dos EUA sob esse arranjo. Segundo autoridades, estimativas apontam que milhares passaram pela fronteira para o território mexicano, embora números oficiais permaneçam não consolidados entre ambos os países.
Novo contorno da assistência
Organizações civis, como o Centro Rizoma do Migrante, registraram mudanças. Lideranças afirmam que, além de migrantes mexicanos, há aumento de casos de cubanos, haitianos e venezuelanos buscando apoio legal no país. Advogados dos EUA procuram informações adicionais.
Jean buscou ajuda no Centro Rizoma após apresentar pedido de asilo à COMAR em novembro. Não houve confirmação de recebimento nem emissão de TVRH, o que dificulta autorização de trabalho. A barreira linguística agrava a complexidade do processo.
A realidade de quem chega a Cancún é de impedimentos. Sem documentação, não há trabalho formal e as contas bancárias passam a ser inacessíveis. A pessoa fica restrita ao estado onde pediu asilo, sem movimentação ou recursos estáveis.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, o retorno de migrantes a México envolve prioridades como renda, moradia e regularização documental. A pesquisa aponta necessidade de abrigo seguro e alimentação para parte desses indivíduos.
Roberto, cubano, é exemplo de integração precária. Expulso para Tapachula e depois para Cancún, ele vive entre trabalhos informais e a espera por uma decisão de visto de cônjuge para retomar a vida nos EUA. O quadro, no entanto, permanece instável.
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