- Ofcom, regulador de mídia do Reino Unido, decidiu não investigar 32 reclamações sobre entrevista de Donald Trump à GB News, alegadamente distorcida ou parcial.
- A entrevista, transmitida no mês de novembro passado, teve Trump afirmando que as mudanças climáticas são uma “farsa” e que partes de Londres teriam leis sharia, entre outras alegações.
- Críticos disseram que as afirmações não foram desafiadas durante o programa, embora houvesse um painel de apoio que contestou as opiniões de Trump.
- Chris Banatvala, ex-diretor de padrões da Ofcom, disse que a decisão é “surpreendente” e levanta questões sobre a aplicação das regras de imparcialidade.
- A Ofcom afirmou ter avaliado o programa como um todo e que o painel e outras entrevistas ofereceram perspectivas alternativas que desafiaram as posições de Trump; GB News não comentou.
O regulador britânico de televisão, Ofcom, foi alvo de críticas após optar por não abrir uma investigação sobre uma entrevista concedida por Donald Trump à GB News. A entrevista, transmitida em novembro, inclui afirmações do então presidente dos EUA sobre mudanças climáticas serem uma farsa e sobre áreas de Londres sob leis de xaria.
Além disso, Trump fez alegações sobre segurança pública e imigração que críticos dizem ter ficado sem contestação ou terem sido apoiadas pela apresentadora Bev Turner, âncora do programa noturno da GB News nos EUA. A decisão de Ofcom aponta para a existência de um painel de debate que acompanhava a entrevista.
Ofcom informou ter analisado 32 reclamações que alegavam parcialidade ou desinformação na reportagem. O regulador reconheceu que as visões de Trump não foram desafiadas durante a própria entrevista, mas destacou que o painel e os demais convidados apresentaram perspectivas alternativas que contestaram suas posições.
Reação e contexto
Chris Banatvala, um dos primeiros diretores de padrões de Ofcom, afirmou estar “indignado” com a decisão. Ele ressaltou que Trump lançou acusações infundadas sem contestação, o que pode ter induzido ao erro os telespectadores e violado padrões mínimos do jornalismo.
Bob Ward, do Grantham Research Institute, classificou a decisão como inadequada, dizendo que a entrevista propagou desinformação climática. Segundo Ward, a decisão sem explicação sugere receio por parte do regulador de enfrentar Trump para não antagonizá-lo.
Ofcom informou que, apesar de Trump não ter sido confrontado durante a entrevista, a cobertura de ambiente e convidados alternavam perspectivas que questionaram o posicionamento do ex-presidente. Em nota, o regulador afirmou ter avaliado o programa como um todo, conforme as regras de imparcialidade.
GB News afirmou que não comentaria o assunto. O canal foi procurado pela Reuters para um posicionamento, mas não houve resposta. O caso levanta questionamentos sobre o equilíbrio na regulação de conteúdos com conteúdo político potencialmente divisivo.
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