- Especialistas alertam que cortes de dados climáticos promovidos pela administração Trump podem tornar previsões meteorológicas federais menos confiáveis, especialmente na temporada de furacões e de calor recorde.
- A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) lançou, no fim do ano passado, modelos globais de previsão do tempo alimentados por inteligência artificial, treinados com séculos de dados climáticos.
- Este ano houve proposta de aumento modesto no orçamento do Serviço Nacional de Meteorologia, mas corte de quarenta por cento para a NOAA como um todo, além de redução na coleta de dados.
- Pesquisadores dizem que a IA é útil, desde que bem treinada com muitos dados; já estudos indicam que, para eventos extremos, os modelos de IA ainda apresentam desempenho inferior ao de abordagens tradicionais baseadas em física.
- A NOAA afirma que a IA é complemento aos modelos existentes e que a previsão depende de dados de satélites, balões, bóias e sensores; a instituição deve divulgar a perspectiva para a temporada de furacões de 2026 na Atlantic.
As mudanças propostas pelo governo americano podem reduzir dados climáticos e de meteorologia usados na previsão do tempo, segundo especialistas. A preocupação vem à tona em meio à temporada de furacões e a previsões de calor recorde.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) lançou, no final do ano passado, um conjunto de modelos de previsão global com inteligência artificial. Em março, um porta-voz da agência informou que esses modelos estão sendo treinados com séculos de dados meteorológicos.
Para analistas, a IA é útil quando há dados suficientes para treinar os algoritmos. A ex-vice-secretária da Noaa, Monica Medina, ressaltou que cortes na coleta de dados podem comprometer a qualidade das previsões e frear avanços tecnológicos.
A NWS, braço da Noaa, informou que, mesmo com boatos sobre perda de dados, há grande volume de informações diárias vindas de satélites, balões meteorológicos, bóias e sensores terrestres. Contudo, relatos indicam redução de lançamentos de satélites e de balões, além de cortes em programas climáticos.
Críticos alertam que a diminuição de dados pode impactar a habilidade de prever eventos extremos. Estudos indicam que modelos baseados em IA ainda apresentam defasagens na simulação de fenômenos climáticos incomuns, como tempestades intensas.
Para especialistas, há risco de que depender mais de IA sem ampliar a base de dados reduza a confiabilidade das previsões, principalmente em situações de clima extremo. Em contrapartida, a NOAA afirma que os modelos de IA somam-se aos já existentes, sem substituí-los.
Em meio a incertezas, o país se prepara para um verão com temperaturas elevadas e potencial aumento da atividade de furacões no Atlântico. A NOAA deve divulgar a previsão anual da temporada de 2026 nesta quinta-feira, com foco em padrões climáticos para o norte do Atlântico.
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Contexto científico e operacional
Especialistas destacam que modelos tradicionais baseados em física fornecem previsões a partir de leis naturais, enquanto IA identifica padrões em dados históricos. A avaliação de especialistas aponta que IA pode superar em alguns aspectos, mas falha em simular eventos sem precedentes.
Professores e meteorologistas lembram que infraestruturas físicas são projetadas para climas estáveis, o que não corresponde à realidade de extremos cada vez maiores. Essa disparidade pode afetar desde sistemas de drenagem até estradas.
A NOAA afirma que a nova geração de modelos de IA amplia o conjunto de opções, sem substituir os métodos clássicos, e utiliza dados do Global Forecast System como base. Analistas entendem que a interseção entre dados de entrada e modelos é crucial para previsões confiáveis.
#### Observadores críticos
Alguns especialistas continuam céticos quanto à rápida adoção de IA em previsões federais, sobretudo diante de cortes orçamentários em coleta de dados e pesquisa climática. Eles ressaltam a necessidade de dados de qualidade para alimentar os modelos.
O atual administrador da NOAA, Neil Jacobs, é visto como líder técnico da área. Avaliações indicam que ele não adotaria mudanças precipitadas, embora dependa de decisões do governo para manter o orçamento.
A avaliação de Monica Medina é que previsões climáticas são vitais para segurança pública, economia e planejamento de emergências, o que torna crucial manter dados robustos para alimentar modelos.
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