- Vídeos com drone na Rocinha, a maior favela do Rio, ganharam notoriedade enquanto o Rio registra recordes de turismo, com tours envolvendo lajes e becos da comunidade.
- Os passeios costumam ter fila para edição de vídeos, com preço a partir de 150 reais e, em alguns casos, momentos de romance, como pedido de casamento, gerando debates sobre romantização da pobreza.
- A empresa Na Favela Turismo defende que as visitas mostram o lado positivo da favela; os guias seguem rotas seguras com moradores acompanhando as atividades e cancelando visitas em operações policiais.
- A iniciativa formou cerca de 300 guias locais e 10 pilotos de drone; proprietários de 26 lajes e terraços cobram pelas visitas, ampliando o acesso turístico à Rocinha e ao Vidigal.
- Especialistas e moradores destacam o turismo como fonte de renda, mas alertam para o risco de transformar a favela em “contraste exótico” ou pano de fundo para conteúdos, sem atender às desigualdades estruturais.
A repercussão de vídeos com drone na Rocinha, maior favela do Rio de Janeiro, reacende o debate sobre turismo em comunidades pobres. As imagens mostram turistas posando na laje de uma casa, enquanto o drone se afasta para revelar a vista aérea, acompanhadas de música, em meio a filas para se gravar.
O projeto é promovido pela empresa Na Favela Turismo, que afirma não romantizar a pobreza, mas tentar mudar preconceitos. Segundo Renan Monteiro, fundador da empresa, a visita é realizada por meio de um tour que percorre becos, com moradores seguindo o cotidiano, artistas locais e apresentações de capoeira.
Entre os participantes, destacam-se viajantes que chegam a aguardar até duas horas para a filmagem, com preço a partir de 150 reais. O roteiro também envolve guias locais e a participação de pilotos de drone, como Pedro Lucas, de 19 anos, que viu a atividade transformar sua trajetória.
Debate e contexto
Apesar do apelo turístico, há quem veja a atração sob o prisma da romantização de pobreza e violência, em área com histórico de tráfico de drogas. Ainda assim, defensores destacam o potencial econômico gerado para moradores da Rocinha e de comunidades vizinhas, como o Vidigal.
A prática ocorre em meio a números recordes de turismo no estado. A Embratur informou recorde de visitantes internacionais em janeiro, e, em fevereiro, o Na Favela Turismo registrou quase 41 mil visitas combinando Rocinha e Vidigal. Técnicos e moradores ressaltam a necessidade de equilíbrio entre renda e qualidade de vida.
Para críticos, o desafio é manter o turismo como ferramenta de desenvolvimento sem transformar as favelas em mero cenário. Eles apontam a importância de práticas responsáveis, segurança e respeito aos afetados pela desigualdade estrutural da cidade.
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