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Carlos Drummond de Andrade reflete sobre o erotismo na vida humana em 1984

Entrevista reeditada de Carlos Drummond de Andrade revela suas reflexões sobre amor, velhice e a relação com a filha, além de planos para novos poemas.

Sinto entre nós, sobretudo, uma grande camaradagem de espírito, uma enorme liberdade (Foto: Hipólito Pereira / Agência O Globo)
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  • A entrevista de Carlos Drummond de Andrade, originalmente publicada em 1984, foi reeditada em 2025 como parte das comemorações dos 100 anos do jornal O GLOBO.
  • Drummond, que foi colunista do jornal entre 1977 e 1987, compartilhou reflexões sobre amor, velhice e sua relação com a filha, Maria Julieta.
  • O poeta afirmou que o amor é um sentimento que conecta as pessoas ao universo, embora seja frágil e se transforme com a idade.
  • Ele descreveu a velhice como um tema complexo, destacando a perda dos sentidos como uma das maiores dificuldades.
  • Drummond também mencionou a intenção de publicar poemas eróticos e expressou ceticismo em relação à ideia de Deus, afirmando que a criação o incomoda.

Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros, teve uma entrevista reeditada em 2025, originalmente publicada em 1984, como parte das comemorações dos 100 anos do jornal O GLOBO. Drummond, que foi colunista do veículo entre 1977 e 1987, revelou reflexões profundas sobre amor, velhice e sua relação com a filha, Maria Julieta.

Durante a conversa, o poeta expressou sua visão sobre o amor, afirmando que não acredita nele como uma fatalidade biológica, mas sim como um sentimento que conecta as pessoas ao universo. “O amor é frágil, condicionado às limitações humanas,” disse Drummond, ressaltando que, mesmo na velhice, o sentimento amoroso persiste, embora se transforme. Ele destacou que a parte ideal do amor prevalece quando os meios físicos para sua expressão se tornam limitados.

A velhice, segundo Drummond, é um tema complexo. “O terrível na velhice é a própria velhice,” afirmou, reconhecendo que a perda dos sentidos é uma das maiores dificuldades. Ele também se descreveu como um “funcionário público aposentado e um jornalista em atividade,” enfatizando que não se considera um literato profissional, apesar de ter escrito cerca de 40 livros.

Reflexões sobre a Filha e a Poesia

A relação com sua filha é marcada por uma forte camaradagem. “Não julgo minha filha, como ela também não me julga,” afirmou, destacando a liberdade que existe entre eles. Drummond também mencionou que planejava publicar poemas eróticos, que estavam guardados, e que o título de seu próximo livro seria “Corpo”, refletindo sobre as experiências amorosas.

Em relação a Deus, Drummond se mostrou cético, afirmando que a ideia de um poder superior o incomoda. “Deus me chateia,” disse, questionando a lógica da criação. Apesar de não se considerar um homem feliz no sentido pleno, ele reconheceu que teve sorte em ter amigos que o apoiaram ao longo da vida.

A reedição da entrevista traz à tona não apenas a figura do poeta, mas também suas inquietações e a complexidade de sua vida pessoal e artística, revelando um Drummond mais íntimo e reflexivo.

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