- O Censo Escolar 2025 aponta queda de 420 mil matrículas no Ensino Médio, parte de uma redução total de um milhão de matrículas na educação básica.
- A reforma do Ensino Médio, implementada a partir de 2021, é apontada como principal fator que contribuiu para a diminuição, pela fragmentação curricular e aumento de ofertas de EaD em estados.
- Em São Paulo, a mudança de metodologia de contabilização reduziu duplicidades de matrículas (itinerários formativos e EaD), respondendo por parte significativa da queda observada nacionalmente.
- A queda de matrículas não é totalmente explicada pela redução demográfica: a taxa de oferta e a distorção idade-série não bastam para justificar o recuo de 5,4% no Ensino Médio; a EJA também acumula queda semelhante, mas por diferente motivo.
- Ficou uma lacuna de informação sobre a oferta de EaD na educação básica, já que a nova coleta passou a registrar itinerários formativos, expondo que a EaD continua amplamente usada para cumprir carga horária, especialmente no ensino noturno.
O Censo Escolar 2025 registrou uma redução de aproximadamente 1 milhão de matrículas na educação básica, segundo dados do Ministério da Educação (MEC) e do Inep. Do total, mais de 40% correspondem ao Ensino Médio, levantando dúvidas sobre as mudanças provocadas pela reforma da etapa.
O ministro Camilo Santana rebateu questionamentos sobre a queda, afirmando que há ganho relativo de atendimento na educação básica, mesmo com a redução populacional. Ele destacou que, proporcionalmente, mais jovens estão na escola do que no passado.
O MEC e o Inep indicaram que a menor manutenção de alunos ao longo da educação básica é um segundo fator, associado a maior conclusão de séries. Assim, menos alunos ficam reatualizados com atraso, reduzindo o conjunto de matrículas no Ensino Médio.
Entretanto, a PNAD do IBGE aponta queda de 1,1% na população de 15 a 17 anos entre 2024 e 2025, o que não explica sozinha a redução de 5,4% das matrículas observada no Censo para o Ensino Médio. A Educação Infantil e os Anos Finais do Fundamental tiveram quedas menores, em torno de 2%.
A taxa de frequência de 93% de 15 a 17 anos permanece estável entre 2024 e 2025, e a distorção idade-série caiu de 17,8% para 16,0% no Ensino Médio, sem justificar pela totalidade a queda de matrículas. A EJA também registrou queda de 5,8%, mas o público potencial é amplo.
Especialistas apontam que a reforma do Ensino Médio, iniciada sob o governo Temer e implantada a partir de 2021, contribuiu para a complexidade da oferta educativa. A falta de coordenação nacional favoreceu a criação de muitos itinerários formativos e a expansão de EaD, impactando a confiabilidade dos números.
Em São Paulo, o maior polo de matrículas do país, houve alteração na metodologia de contabilização em 2025. A Seduc-SP eliminou duplicidades, o que provocou queda expressiva nas matrículas estaduais, contribuindo significativamente para o recuo nacional.
Essa reconfiguração, associada à coordenação mais ampla do MEC e ao regulamento do CNE sobre itinerários, indica avanços na racionalidade da reforma, sem afirmar se ela melhora a formação dos estudantes. O efeito imediato foi maior confiabilidade dos dados, porém uma lacuna informativa sobre a oferta de EaD persiste.
Ao trazer à tona a duplicidade de matrículas de EaD no Ensino Médio, o novo Censo deixa claro que a maior parte da queda se deve a mudanças na forma de contabilizar. A EaD passou a figurar como modalidade, em caráter excepcional, ainda sem regulamentação ampla.
Mesmo com a coleta de dados sobre EaD em EaD para o Ensino Médio, a EJA e a Educação Profissional e Tecnológica, a leitura atual revela uma lacuna de informação sobre a oferta de EaD na educação básica. O sumiço de matrículas acende o alerta para a necessidade de monitorar com precisão as mudanças curriculares futuras.
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