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Estudo aponta efeito significativo da proibição de celulares em escolas

Proibição de celular reduz uso em sala, mas impacto médio nas notas é próximo de zero; adaptação dos alunos ocorre nos anos seguintes

Restrição ao uso de celular nas escolas foi avaliada em quase 5 mil instituições americanas; estudo aponta impacto no bem-estar, mas efeito neutro nas notas.
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  • Estudo do National Bureau of Economic Research acompanhou quase cinco mil escolas públicas dos EUA entre 2023 e 2025, que adotaram bolsas lacráveis para celular.
  • O uso de celulares dentro da escola caiu cerca de trinta por cento, e o uso em sala para fins pessoais diminuiu de sessenta e um por cento para treze por cento entre os alunos.
  • O desempenho acadêmico teve efeito médio próximo de zero; houve leve melhoria em matemática no ensino médio e pequena piora nos anos finais do ensino fundamental.
  • O bem-estar dos alunos caiu no primeiro ano (aproximadamente 0,2 desvio-padrão) e se recuperou no segundo; as ocorrências disciplinares subiram cerca de 16 por cento na implementação e diminuíram com o tempo; frequência e atenção não mudaram.
  • Pais apoiam a proibição e esperam melhorias; alunos são contrários e veem benefícios menores. No Brasil, lei de 2025 proibiu uso de celulares em escolas.

O estudo do NBER (National Bureau of Economic Research), dos Estados Unidos, avaliou quase 5 mil escolas públicas que adotaram bolsas lacráveis para celulares durante todo o período escolar entre 2023 e 2025. A pesquisa busca medir efeitos reais de uma restrição rígida ao acesso aos aparelhos.

As bolsas são cases de tecido com trava magnética. O aluno coloca o celular ao entrar e só pode abrir a bolsa em bases magnéticas distribuídas pela escola, geralmente no fim do turno ou em emergências. O objetivo é impedir o uso do celular dentro da instituição.

O que são as bolsas lacráveis e como funcionam

O experimento comparou escolas com acesso bloqueado ao celular ao longo de todo o dia letivo. A abordagem permite observar o impacto da restrição efetiva do uso, diferentemente de políticas menos rígidas.

Resultados do estudo

Dados de GPS indicam queda de aproximadamente 30% no uso de celulares dentro das escolas após a adoção. A percepção dos docentes também foi expressiva: o uso pessoal em sala caiu de 61% para 13% entre os alunos, uma redução próxima de 80%.

O efeito na aprendizagem, porém, foi misto. A média de desempenho acadêmico ficou próxima de zero, com variações por etapa de ensino: leve melhora em matemática no ensino médio e pequena piora no fim do ensino fundamental. Os autores ressaltam que os efeitos tendem a se anular na média.

Bem-estar, disciplina e atenção

No primeiro ano após a implementação, o bem-estar subjetivo dos alunos caiu cerca de 0,2 desvio-padrão, considerado relevante. No segundo ano o indicador se recuperou e passou a ser positivo. Ocorrências disciplinares subiram cerca de 16% no ano inicial e diminuíram com o tempo. A frequência e a atenção não registraram mudanças significativas.

Interpretações e limitações

Os pesquisadores sugerem que a retirada do celular pode ter deslocado a atenção para outras atividades, como conversas entre colegas. Em algumas escolas, o celular também tinha usos pedagógicos, cuja ausência gerou lacunas no ensino. Diferenças por faixa etária aparecem: alunos mais novos podem ter buscado outras distrações, enquanto o ensino médio mostrou ganhos modestos, especialmente em matemática.

A importância do contexto

Os autores destacam que o estudo acompanhou as escolas por no máximo três anos após a adoção. Efeitos de longo prazo permanecem incertos. A pesquisa revela que proibir não é garantia de melhoria de desempenho, e que políticas devem considerar adaptação e estratégias pedagógicas complementares.

Repercussões no debate atual

No Brasil, a lei sancionada em 2025 proibiu o uso de celulares em escolas de educação básica, ampliando o debate sobre eficácia e implementação. O estudo americano oferece dados objetivos para discutir cenários de proibição, mudanças de rotina e apoio pedagógico.

Fonte: estudo conduzido por pesquisadores de Stanford, Duke, Penn e Michigan, com dados coletados entre 2023 e 2025.

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