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Homem responde a hambúrguer com penne em discussão gastronômica

Slow Food nasce do protesto silencioso de Carlo Petrini contra o McDonald’s em Roma, definindo o alimento como identidade e movimento internacional

Carlo Petrini em registro de 26 de setembro de 2024, em Turim. Foto: Marco Bertorello/AFP
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  • Em 1986, Carlo Petrini protestou contra a abertura de um McDonald’s na Piazza di Spagna, levando tigelas de penne com molho ao sugo para transmitir a ideia de que comer é ato político.
  • O movimento Slow Food foi formalmente estruturado em Paris, em 9 de dezembro de 1989, como defesa do prazer e do alimento artesanal.
  • Petrini foi presidente do Slow Food de 1989 até 2022; criou a rede Terra Madre em 2004 e a Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo.
  • Petrini faleceu aos 76 anos em Bra, cidade de nascimento, na quinta-feira anterior; o presidente da Itália ressalvou o impacto dele na gastronomia e na sociedade.
  • Hoje o Slow Food está presente em mais de 160 países e mantém projetos e parcerias que envolvem agricultores, pescadores, artesãos e cozinheiros ao redor do mundo.

O movimento Slow Food nasceu de um protesto incomum ocorrido em Roma, em 1986. Um grupo liderado por Carlo Petrini apresentou-se no McDonald’s da Piazza di Spagna carregando tigelas de penne ao sugo, numa ação que buscou ligar gastronomia a política.

O objetivo não foi criar tumulto, e sim comunicar que comer pode ser um ato político. Petrini, representante do Piemonte, entendeu que a oposição ao fast food deveria priorizar prazer e comida artesanal, não abstinção pura.

O episódio marcou o início das raízes do Slow Food, que ficou formalizado em 1989, em Paris, durante um congresso que consolidou o movimento internacional voltado à defesa do sabor e da biodiversidade.

Origem e filosofia

Carlo Petrini, militante de esquerda, dialogou com produtores rurais do Piemonte, valorizando práticas locais. A ideia central era criar uma comunidade que falasse a linguagem da produção artesanal e do alimento como identidade.

A filosofia do movimento veio de viagens à Borgonha, na França, e da visão de que a economia camponesa carregava valores relevantes. Petrini citou a importância de uma civilização camponesa para além das estruturas industriais.

Fundado o Manifesto do Slow Food, redigido por Folco Portinari, o documento definiu o Slow Food como internacional pela defesa do direito ao prazer na alimentação, contrapondo a cultura do Fordismo.

Expansão e reconhecimento

Petrini foi eleito presidente do movimento em 1989 e permaneceu no cargo até 2022. Durante sua gestão, o Slow Food criou a Terra Madre, rede global de agricultores, pescadores, artesãos e cozinheiros.

Ainda no início dos anos 2000, o movimento ampliou sua atuação com a Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo e conectou-se a instituições internacionais, recebendo reconhecimentos como o prêmio Champions of the Earth, da ONU, em 2013.

O McDonald’s da Piazza di Spagna continua em funcionamento. O legado de Petrini permanece ativo por meio da rede Slow Food, presente em mais de 160 países.

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