- O esgotamento de mulheres aumenta no fim do ano, com cobrança profissional e tarefas domésticas que se acumulam em dezembro.
- Mulheres dedicam 21,3 horas semanais a cuidados e tarefas domésticas, frente a 11,7 horas dos homens; 85% do cuidado recai sobre mulheres.
- A diferença é maior entre raças e renda: mulheres pretas ou pardas gastam 1,6 hora a mais por semana; quem tem menor renda tem carga 7,3 horas maior que as de maior renda.
- Em 2024, cerca de 472 mil licenças por transtornos mentais foram registradas no Brasil, das quais 63,8% ocorreram entre mulheres; dezembro é apontado como gatilho emocional.
- Medidas sugeridas para reduzir o esgotamento: ajustar metas do último trimestre, limitar comunicação após horários, oferecer apoio psicológico, flexibilizar horários e revisar a distribuição de tarefas.
O fim de ano acentua o esgotamento entre mulheres, que somam trabalho pago e doméstico. Em dezembro, avaliações, metas e entregas no ambiente corporativo se somam às demandas familiares, elevando a pressão sobre a saúde mental.
Dados oficiais apontam que mulheres dedicam mais tempo a cuidados e tarefas domésticas do que homens. Além disso, grande parte do trabalho de cuidado recai sobre elas, geralmente sem remuneração, ampliando o peso emocional e técnico dessa etapa do ano.
A desigualdade é ampliada por raça e renda: mulheres pretas ou pardas gastam mais tempo com essas atividades, e a carga semanal aumenta entre as de menor renda. O cenário ajuda a entender por que dezembro é um ponto crítico.
Relatos de profissionais ajudam a ilustrar o impacto. Mariana Rocha, ex-assistente de vendas de uma multinacional, descreve cobranças profissionais acopladas a tarefas domésticas, como organização de ceia e organização de expectativas, contribuindo para o esgotamento.
O efeito se materializa na saúde mental e na presença de afastamentos. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 472 mil licenças por transtornos mentais, com participação expressiva de mulheres. Especialistas destacam o papel da carga emocional no adoecimento.
Entre líderes, o quadro é particularmente intenso. Um levantamento de uma plataforma de gestão aponta alta incidência de burnout entre mulheres em cargos de alta gestão, com maioria relatando esgotamento completo.
Perspectiva corporativa
Dados globais indicam que mais da metade das mulheres relatam aumento de estresse e quase metade admitiu esgotamento. A soma de atividades remuneradas e não remuneradas eleva a carga semanal para além de 50 horas, contribuindo para desgaste prévio ao expediente.
O acúmulo no fim de ano é reforçado pela percepção de que tarefas sociais e profissionais precisam ser geridas simultaneamente, elevando o risco de impactos na produtividade e no engajamento.
Medidas possíveis
Líderes podem agir de forma imediata para reduzir a pressão. Entre as ações sugeridas estão: revisar metas do último trimestre, estabelecer horários com menos reuniões, oferecer apoio psicológico, flexibilizar horários e promover trabalho híbrido, além de redistribuir tarefas para evitar sobrecarga.
Também é importante ampliar previsibilidade de demandas e reconhecer entregas ao longo do ano, como forma de mitigar o esgotamento que se intensifica em dezembro. Essas medidas podem favorecer a saúde mental e o desempenho organizacional.
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